A afrontosa proposta de mais vagas de deputados
A proposta de o Brasil ter mais deputados federais seria um quadro cabível nos programas humorísticos da TV, mas não se trata de irrealismo e sim de um fato verdadeiro. Eles estão querendo e são capazes de perpetrar mais esta. Fala-se dos pares da Câmara, que agora inventam a necessidade de os brasileiros no exterior terem representantes na Casa, como se não bastassem os 513 existentes. O presidente da Câmara, Michel Temer, é um dos defensores dessa barbaridade e a considera ''uma idéia razoável''.
Não será necessário um plebiscito para saber-se que a nação inteira seria favorável a diminuir em mais de 50% o número de parlamentares no Brasil - desde as câmaras municipais até o Congresso - e parece que, contrariando essa posição entalada no íntimo de cada brasileiro, aquela proposta de emenda constitucional acaba de ser aprovada pelo Senado.
Serão necessárias outra aprovação no Senado e duas na Câmara mas com toda a certeza esse projeto afrontoso chegará a aprovação final, a menos que ocorra a hipótese remota de as multidões deslocarem-se para Brasília e cercarem o edifício do Congresso. Não se sabe ainda quantas novas vagas de deputados serão gestadas, mas já é certo que os gastos abusivos subirão. O presidente Michel Temer dissimula, dizendo que acha isto ''uma coisa útil'' e que ''não vai trazer prejuízo para o cofre público'', porque os novos deputados ''serão pouquíssimos''.
São os ''pouquíssimos'' aqui e ali que compõem o monumental quadro funcional da esfera pública, onde se sustentam 8 milhões de pessoas, desde o office-boy de uma pequena repartição pública até o presidente da República. Os patrícios que vivem no exterior não estão reclamando tais representantes especiais, e se fossem ouvidos diriam que não há necessidade deles. Porque existem cinco centenas de deputados federais que trabalham pouco e eles já são mais que suficientes.
Esta afronta à população se soma à outra, já em adiantado andamento, que aumenta em mais 7.343 o número de vereadores, sem redução de gastos. O que a Câmara Federal havia aprovado era um reordenamento do quadro de vereadores, mas sem aumentar despesas, porém o Senado não aceitou isto, e agora a própria Comissão de Constituição e Justiça da Câmara seguiu a linha dos senadores e decidiu que não há necessidade de compensar com corte de gastos a criação das vagas. Barbaridades que não se sabe quando terão um fim.





