A afronta de organizações lucrativas demitirem
Pela convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) as empresas e instituições lucrativas são proibidas de despedir empregados, a não ser por razão justificada. Mas não aleatoriamente, como agora ocorre no Brasil, onde organizações sólidas estão despedindo. A multinacional General Motors acaba de mandar embora 744 operários, com a previsão sinistra de que no embalo da crise o número suba para três milhões só na Grande São Paulo. O presidente Lula foi informado que já há 650 mil novos desempregados desde setembro.
Os bancos estrangeiros Santander e HSBC demitiram 400 empregados. Bancos auferem lucros fantásticos e tomam medida drástica como esta, sem nenhum motivo, mas aproveitam a onda alarmista que está no ar e assim imaginam justificar à opinião pública uma tal atitude. A indústria automobilística acaba de receber substancial socorro do Governo para incentivo às vendas, para dessa forma não faltar capital de giro, mas a mesma postura não existe com relação à segurança de centenas de trabalhadores e suas famílias.
Quando empresas estrangeiras se instalam no Brasil são cercadas de muitas concessões, mas não proporcionam sua cota correspondente em momentos críticos do País. Leis de protecionismo deveriam ser criadas para não facilitar tanto as coisas para os de fora que aqui chegam, porque se também trazem benefícios, igualmente ganham. E não titubeiam em dar socorro às matrizes como agora acontece ante necessidades de capital. Ao invés de o dinheiro ficar no Brasil, é remetido para fora nessas horas, se já não bastasse a regular remessa de lucros. Não se pode chegar ao ponto do nacionalismo exacerbado mas deveria haver no mínimo um critério de contenção. A compra do Banco Real pelo espanhol Santander só trouxe vantagem para ambos, mas os bancários demitidos amargam dura situação, com agravos também na estabilidade familiar neste Brasil de escassas vagas de trabalho. Nem o bom senso prevalece e nem a convenção da OIT, e no caso das multinacionais nem o respeito ao povo que as acatam.
Ao invés de um esforço conjunto para amenizar essa corrente nefasta de insegurança, as instituições lucrativas que demitem e outras de relativa solidez mais a agravam. O presidente Luiz Inácio afirma que o Governo tomará todas as medidas necessárias para garantir o emprego, mas não intervem para impedir demissões, e assim possibilita que a onda se propague ainda mais, porque não há nenhum freio oficial.





