A administração do PT e o acúmulo de funções
Os prefeitos e governadores do PT estão sendo submetidos a uma pressão cerrada. Era algo de se esperar e, ao contrário do que parece, trata-se de um processo extremamente útil. O poder local, especificamente em Maringá, passa por uma fase que poderia, perfeitamente, ser evitada, ou seja, o comandante supremo do executivo deveria mostrar a verdadeira raiz da ética que tanto apregoou.
Mas, como sempre, existem pessoas que usam do bom senso, que é a ética, para exigir e levar ao conhecimento do público os verdadeiros bastidores da atual administração municipal. Entre essas pessoas estão os promotores. Pessoas que usam seus cargos não para uma auto-promoção, mas sim para cumprir suas obrigações, oferecendo denúncias verdadeiras às autoridades competentes, para que as mesmas exijam o cumprimento da Lei.
O promotor, doutor Osvaldo Simione, de Maringá, está oferecendo uma denúncia a respeito do acúmulo irregular de funções, que atinge 21 funcionários de confiança do senhor Prefeito, que trabalham na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e na Prefeitura Municipal de Maringá ao mesmo tempo.
Tal denúncia se baseia nos conflitos de horários, ou seja, existem funcionários e professores da UEM que estão trabalhando nas duas Instituições Públicas ao mesmo tempo. Interessante, não? Professor dando aula em uma sala na UEM e trabalhando em seus gabinetes e/ou viajando, simultaneamente. Coisas de Mister M, ou seja, coisas de Mister M do PT.
Eles alegam que está na Lei e a Lei é para ser cumprida! Eles se esquecem de que tal Lei foi elaborada por aqueles que eles sempre combateram, os pelegos que sempre tiveram ânsia de poder. Isso, como sabemos, é inconstitucional, imoral e uma afronta aos discursos dos comandantes do PT.
A denúncia do promotor tem procedência, pois nós estamos pagando por esse descalabro. O que se percebe é que ninguém quer perder a boquinha na Prefeitura. Portanto, não deve existir complacência para com pessoas que se beneficiam com tais artifícios, arrancando à força o dinheiro dos contribuintes humildes por meio de impostos.
Essa é uma situação em que não adianta alguém usar de argumentos ideológicos. O que está se passando com a atual administração municipal é uma verdadeira solapação, pois ela mesma está arranhando a imagem de uma administração ética perante os militantes e simpatizantes do PT.
Infelizmente, poucos governos municipal e estadual escapam a esse percalço. Esses acontecimentos raramente beneficiam o PT, porque seu estilo de administrar e de governar está colidindo com os discursos proferidos em época de campanha. Por sua vez, as controvérsias sobre os 21 servidores da UEM ganham enormes saliências, pois o partido da moralidade abandonou seu discurso ético/ideológico e partiu para a prática, o que é comum com os demais partidos.
Aristóteles disse, certa vez: As coisas que temos de aprender antes de fazê-las, aprendemo-la fazendo; por exemplo, os homens tornam-se arquitetos construindo e tocadores de lira tangendo esse instrumento. Da mesma forma, tornamo-nos justos praticando atos justos, e assim com a temperança, a bravura etc (in Chalita, Gabriel, 1999: 21). Os pontos nevrálgicos do PT são os próprios membros, pois eles mesmos fazem com que as denúncias apareçam.
Esperamos que os 21 servidores, da Prefeitura e da UEM, estejam cientes desta prática e a refutem, pois é um ato absurdo e indigno de quem sempre apregoou ética e honestidade para o Brasil.
- GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá





