A ação providencial do TCU
Superfaturamento, sobrepreço e falhas técnicas. Nem todas as irregularidades encontradas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em obras do governo federal, caracterizam, necessariamente, desvios de recursos. Mas o caso preocupa. Foram auditadas 219 obras e, em pelo menos 41, o TCU recomendou suspensão do repasse de verbas. Do total de obras, 13 são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A suspensão dos recursos só é recomendada quando a inspeção apontar falha grave, seja administrativa ou técnica.
Chama a atenção o pedido de suspensão da Refinaria Abreu e Lima, obra tocada através de joint venture entre Petrobras e a estatal venezuelana PDVSA. Só naquela obra seriam sustados repasses de R$ 4,2 bilhões de um total de R$ 7,38 bilhões que é o montante das obras que apresentaram problemas na avaliação do TCU.
A análise do TCU e o episódio, em particular, ganharam destaque na grande imprensa. Uma frase do presidente do TCU, Ubiratan Aguiar, publicada pela Agência Estado, sugere que a medida incomoda o governo. Diz ele: Não podemos deixar que prosperem a fraude, o conluio e a corrupção. Uma frase forte, que aponta indícios de fraude.
O TCU está agindo certo, apesar de críticas de alguns setores do governo, incomodados com a fiscalização porque acarreta atraso no organograma. Mas a pressa denota interesse eleitoral. O TCU bloqueia e tenta impedir aquilo que alguns governos têm praticado: desmandos, superfaturamento e sobrepreço.
No caso das obras auditadas, o melhor que o governo tem a fazer é deixar o TCU trabalhar livremente (o crivo de fiscalizações é brando ou não existe no Brasil) e, em vez de criticar, deve dotá-lo das condições necessárias para que desenvolva sua perícia com eficácia. Até porque começa ainda este ano um pool de obras com vistas a Olimpíada de 2016 e o TCU terá um papel importante em várias etapas dos empreendimentos: licitações, contratos e aferição e inspeção das obras.
Finalmente, qualquer atitude que não a de apoio à atuação de um órgão - que tem sido mais aferidor do que propriamente fiscalizador - vai ser interpretada como autoritária com objetivo esconder malfeitos. Não é o caso, certamente.





