61% dos londrinenses estão insatisfeitos com suas finanças
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 09 de março de 2009
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Contas, vencimentos, rendimentos. Palavras que, segundo recente pesquisa realizada pela UniFil, no Projeto Qualidade de Vida, causam calafrios nos londrinenses. Isso mesmo: levando-se em conta que 60,8% da população adulta pé-vermelha anda insatisfeita com suas finanças, o dinheiro, para muitos londrinenses, sabe dizer ''tchau''.
Em busca de respostas para tamanha torcida de nariz ao saldo bancário e ao salário, a FOLHA conversou com a economista mestre em Teoria Econômica, Maria Eduvirge Marandola. Para reverter esse índice, as ''pessoas devem aprender a escolher os produtos que precisam, refletir sobre as suas escolhas, comparar preços, saber sobre as taxas de juros'', sugere.
Mais de 60% dos londrinenses se queixam das relações com o dinheiro. A quais fatores podemos atribuir as reclamações?
É cada vez mais comum as pessoas se declararem insatisfeitas com suas finanças. As inovações tecnológicas disponibilizam uma imensidão de mercadorias cada vez mais sofisticadas e repletas de funções. Porém há um fator limitante ao consumo que é a renda. Na impossibilidade de comprar todos os objetos que se pretende, muitas pessoas têm uma sensação de frustração.
O londrinense é um consumidor consciente? Qual a linha que divide o consumo compulsivo do responsável?
De maneira geral observa-se que tem crescido o interesse pela educação financeira. Atualmente, tem-se à disposição muitos cursos e livros que ensinam como administrar bem as finanças pessoais. Em cursos e palestras observo que as pessoas estão muito interessadas em saber utilizar seus recursos de maneira racional e saudável. Consumir conscientemente significa ter pleno conhecimento das escolhas que são feitas e o porquê delas, saber os recursos financeiros que estão sendo gastos e se a opção escolhida é a que realmente traz o melhor custo-benefício. Ampliando esse conceito, podemos acrescentar inclusive a preocupação com a origem dos produtos, bem como a preocupação com o planeta. Já o consumidor compulsivo compra desenfreadamente pelo simples prazer em comprar. O que interessa não é o objeto, mas o ato de comprar, trata-se de um transtorno denominado oniomania.
Há um traço que diferencie jovens de adultos, em relação ao consumo? Quais as tendências?
Com certeza. Muitos jovens não se interessam pelos preços, não equacionam as escolhas, querem determinado objeto e pronto, pelo fato de não estarem inseridos no mercado de trabalho e, portanto, não terem renda própria. A educação financeira está sendo inserida nos currículos das escolas, pois é cada vez mais urgente que se aprenda a fazer escolhas de consumo e poupança, e quais as implicações para aqueles que não organizam as suas finanças.
Podemos dizer que estamos em uma sociedade regida pela obsolescência programada, em que tudo é descartável?
Não, creio que o momento do descartável já está acabando. Há sinais muito claros de que todos precisamos mudar, pois existem limites, o planeta reclama cada vez mais, materiais alternativos estão sendo criados, certamente iremos reaproveitar, reciclar e encontrar novas formas de produção.
Como incentivar o consumo inteligente?
Com educação. Precisamos urgentemente que as pessoas aprendam a escolher os produtos que necessitam, refletir sobre suas escolhas, comparar preços, saber sobre as taxas de juros, poupar, ter projetos de investimentos para a família. Pequenos gestos somados fazem uma diferença enorme no final do mês.


