41% dos londrinenses são dependentes de medicamentos
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terça-feira, 17 de março de 2009
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
A realidade mundial aponta: na busca de sanar dores e enfermidades, a população não hesita em recorrer à combinação de diversos medicamentos. Em Londrina, a situação não é diferente. Na pesquisa Qualidade de Vida, realizada pela UniFil, 41% dos londrinenses acenaram positivamente à dependência de medicação ou de tratamentos/ajuda médica.
Com perguntas que variavam entre ''quanto você precisa de medicação ou de algum tratamento médico para levar sua vida diária'' à incisiva ''em que medida a qualidade de vida depende do uso de medicamentos ou de ajuda médica?'', a pesquisa deixou claras as relações dos londrinenses com o balcão da farmácia.
Para a farmacêutica Fabiane Semprebom, é papel e obrigação do profissional de saúde orientar quais medicamentos podem ser consumidos, coibindo a automedicação. Segundo ela, a palavra do vizinho ou da comadre ou a própria internet como médicos do povo definitivamente não funcionam. ''A automedicação leva a uma série de efeitos nocivos, como o diagnóstico incorreto do problema, ao uso de subdose em horários não padronizados e, muitas vezes, à interrupção do tratamento prematuramente'', explica.
A quais fatores podemos atribuir essa corrida às farmácias?
A Farmacologia é uma ciência em constante evolução. Conforme surgem novos conhecimentos, é possível que haja alterações no que se refere à posologia e indicações de uso das substâncias. Desta forma, é importante ao usuário sempre se atualizar no que se refere à indicação e ao uso de substâncias farmacêuticas, o que não ocorre, em muitos casos, e gera essa corrida às farmácias.
Qual o principal traço dos usuários que recorrem à automedicação?
Há um grande número de pacientes usando antibióticos indiscriminadamente. Lançar mão deles sem a real necessidade de o fazer leva ao aparecimento de microorganismos e a um grande número de intoxicações por medicamentos no Brasil. Os transtornos, no caso, são gerados ao paciente e aos sistemas público e privado de saúde. Fica a ressalva: o uso de medicamento deve ser sempre o mais criterioso possível, evitando-se a automedicação.
A palavra do vizinho ou da comadre ou a própria internet como médicos do povo definitivamente não funcionam?
Não. A automedicação leva a uma série de efeitos nocivos, como o diagnóstico incorreto do problema, ao uso de subdose em horários não padronizados e, muitas vezes, à interrupção do tratamento prematuramente.
Quais são os erros mais recorrentes por parte da população?
Um hábito muito comum na população, que também pode contribuir para a automedicação, é o armazenamento de medicamentos no domicílio. As sobras de medicamentos nas residências são um veneno para a saúde, pois estão ao alcance de todos. Quem não tem em casa uma caixinha lotada de comprimidos? Comprar mais remédio do que o receitado só faz o tratamento ficar mais caro.
Como lidar com os hipocondríacos? Qual sua sugestão para mudar os hábitos daqueles que carregam uma farmácia particular?
Os hipocondríacos sofrem porque sempre acham que têm uma doença grave. Se sentem dor de cabeça, pensam em aneurisma; se têm queimação no estômago, estão com úlcera. Os casos se repetem. Um pouco de cuidado é necessário, mas não o exagero. Quando essas características são intensas, a vida do hipocondríaco começa a se mover em torno disso. A reclamação em torno de determinado sintoma é, muitas vezes, estepe para minimizar algum sofrimento. Pacientes assim não precisam de uma bateria de exames pedidos pelos médicos e sim, de fato, de muita atenção e conversa.
Diante de números tão altos do consumo de medicamentos, qual o papel do farmacêutico para evitar o ''consumir por consumir''?
O momento é oportuno para o farmacêutico assumir seu papel perante a sociedade. A literatura já traz que o papel do farmacêutico é tão nobre quão vital e cabe a nós, profissionais, dar a melhor orientação. Um medicamento pode tanto curar como aprofundar determinado sintoma.


