40% dos bancários sofrem assédio moral
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de julho de 2006
Da Redação 
O projeto Assédio Moral na Categoria Bancária, coordenado pelo Sindicato de Pernambuco, constatou que 60,72% dos trabalhadores entrevistados se sentem nervosos, tensos ou preocupados e 40% sofrem de assédio moral. Outros sintomas apresentados são cansaço, tristeza, insônia, dor de cabeça.
Estresse e assédio têm sua razão de ser: estão diretamente ligados à forma como se estruturam as relações e o ambiente de trabalho. O projeto já formou 366 multiplicadores entre os dirigentes sindicais bancários de todo o País.
Embora haja um clima positivo em relação às chefias e às equipes, existem muitas queixas em termos de comunicação - boatos que geram insegurança, pessoas que não passam informações e que impedem o contato com as chefias.
Setenta e um por cento dos bancários reclamaram da falta de pessoal. A extrapolação de jornada, a carga excessiva de trabalho e o excesso de competição também foram muito citados pelos entrevistados.
Silêncio - ''Existe o assédio propriamente dito, aquele no qual o empregado é submetido a situações constrangedoras, e outro, bem mais comum: o assédio que decorre das condições de trabalho'', afirma a psicóloga Regina Maciel, integrante da coordenação do projeto e responsável pela elaboração do relatório de pesquisa.
Embora o índice de assédio seja considerado alto, sobre o tema ainda reina o silêncio. Apenas 5,2% daqueles que relataram ter sido vítimas de situações constrangedoras no trabalho falaram sobre isso com alguém, geralmente da família.
''A hora é de trazer o assunto à tona e estimular as denúncias'', diz a coordenadora geral do projeto, Suzineide Medeiros. ''O Sindicato ainda é muito pouco procurado pelas vítimas. Precisamos mudar essa realidade para melhorar nosso ambiente de trabalho.''
Ela acrescenta que os desafios agora são incluir o tema na convenção coletiva, aprovar uma lei nacional que iniba o assédio e ampliar o debate com a base. ''O medo ainda é o grande vilão para os bancários e trabalhadores em geral e um grande aliado dos patrões, pois as vítimas têm medo de denunciar'', diz Suzineide.
Ela ressalta a importância da cartilha elaborada pelo projeto, que fez aumentar o número de denúncias. E enfatiza a necessidade de investir na prevenção.


