2026: Tendências que já realidade
"O futuro de 2026 é, em grande parte, resultado das escolhas que fazemos agora"
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de janeiro de 2026
"O futuro de 2026 é, em grande parte, resultado das escolhas que fazemos agora"
Abraham Shapiro 
Quando olhamos para 2026, a grande diferença em relação aos anos anteriores é que a incerteza está dando lugar a uma nova forma de previsibilidade. Não estamos voltando ao "normal" que conhecíamos, mas estamos aprendendo a operar em um mundo onde certas mudanças não são mais possibilidades distantes; são realidades que já começaram a moldar nosso dia a dia.
Se 2025 foi o ano em que muita coisa começou a mudar de vez, 2026 será o ano em que essas mudanças se tornam a base sobre a qual empresas e pessoas precisam construir suas estratégias.
Para quem lidera organizações ou trabalha com comunicação, a pergunta não é mais "o que pode acontecer?", mas sim "como nos preparamos para o que já sabemos que vai acontecer?". O crescimento em 2026 não virá de reagir a crises, mas de se antecipar de forma inteligente ao que já é inevitável.
Três grandes forças estão definindo esse caminho.
A primeira é a economia voltada para a longevidade. A população está envelhecendo rapidamente, e isso não é mais uma projeção para daqui a vinte anos. É o mercado de agora. Em 2026, as empresas que tratarem o público mais velho como um nicho separado vão perder relevância. A tendência é criar produtos e serviços que funcionem bem para todas as idades, sem sacrificar design ou qualidade. O mercado está se tornando naturalmente multigeracional.
A segunda força é a sustentabilidade pragmática. Acabou a era das promessas vagas e fofas sobre meio ambiente. Em 2026, consumidores e investidores querem ver provas concretas de como as práticas sustentáveis realmente tornam o negócio mais forte e ajudam no bolso das pessoas. Ser sustentável precisa significar, na prática, ser mais eficiente, mais durável e fazer diferença real — não apenas parecer bonito em relatórios.
A terceira grande mudança é o controle da atenção. Depois de anos sendo bombardeadas por publicidade e algoritmos, as pessoas estão cansadas, ou melhor, esgotadas. Mais do que isso: estão ativamente criando barreiras para se proteger da invasão constante. Em 2026, ter a atenção do público será um privilégio reservado apenas para marcas que entregam valor real ou que realmente se conectam com os valores e a cultura das pessoas.
A grande ironia de tudo isso é que, embora essas tendências sejam previsíveis, executá-las bem continua sendo um imenso desafio. Vivemos em uma época em que as pessoas esperam que as empresas já tenham planos prontos para lidar com crises que antes eram consideradas imprevisíveis. E elas não têm. Creia-me. Não têm mesmo! Assim, estamos diante de um sério desafio, pois, os que esperam o problema acontecer para agir já perderam a confiança do público, quando não a autoconfiança.
Além disso, a transparência deixou de ser uma escolha ética para se tornar uma necessidade técnica. Com a Inteligência Artificial analisando dados públicos em tempo real, qualquer diferença entre o que uma empresa diz e o que ela faz será descoberta rapidamente – veja, por exemplo, as checagens que os órgãos de arrecadação pública passarão a fazer não mais sobre amostras estatísticas, mas de cada contribuinte.
E há ainda outro movimento curioso ao qual chamo toda a sua atenção: quanto mais a nossa vida acontece através de telas, mais valorizamos experiências físicas e reais. O comércio físico e os eventos presenciais em 2026 serão refúgios da conexão humana genuína.
O futuro de 2026 é, em grande parte, resultado das escolhas que fazemos agora. As tendências estão claras. A única variável que resta é a capacidade de cada um transformá-las em vantagem através de ações decisivas e construção de confiança real.
Abraham Shapiro - Consultor de Empresas
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