2019: o ano mais quente da história
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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019
Folha de Londrina 
Há cerca de 24 horas, a OMS (Organização Mundial de Saúde) divulgou alertas sobre as ondas de calor na América do Sul, incluindo 24 países, dentre eles o Brasil.
O alerta da OMS diz respeito aos cuidados com a saúde que devem ser intensificados, mas também trata do aumento de temperatura como fator que propicia riscos de incêndios nas florestas, perdas na agricultura e até interrupção de energia elétrica, com paralisação de vários serviços.
Trazendo o calor para “perto de casa”, não custa lembrar que no último dia 25 o MetSul Meteorologia divulgou boletim sobre a onda de calor atípica que tomou conta do Rio Grande do Sul. Na tarde do dia de Natal, a cidade de Santa Cruz do Sul registrou um calorão de 38,2 graus.
A FOLHA, no dia 27, ampliou a notícia divulgando que o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) previa altas temperaturas para toda região Sul, com o calor castigando o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul por dias consecutivos.
O critério para se classificar temperaturas altas como atípicas ocorre quando as temperaturas máximas ficam 5ºC acima da média no mesmo período do ano.
Segundo os serviços do Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitotamento Ambiental do Paraná) no domingo (29), em Londrina, às 16h, a temperatura chegava a 32,2ºC, com sensação térmica de 34 graus. Índices que podem variar se levarmos em conta as regiões mais quentes ou mais frescas da cidade.
Mas a que se devem as ondas de calor que envolvem o planeta? Os registros de baixas e altíssimas temperaturas já ocorreram em outras décadas mas, explicam os cientistas do clima, o aquecimento global muda a intensidade e a frequência desses extremos. Um estudo publicado em agosto pela Nature Climate Change, liderado por cientistas da Universidade de Humboldt de Berlim, trouxe uma análise estatística que mostra um cenário global de 2º C acima da temperatura média registrada nos anos pré-industriais. O resultado é que temos mais secas e mais chuvas, numa alternância de extremos que mostra que alguma coisa mudou para pior. Com isso, os dias quentes são mais frequentes e as chances das ondas de calor durarem mais de duas semanas aumentam em 4%.
Outros alertas vêm de cientistas de outras partes do mundo. Matéria da National Geographic do último dia 10, dá conta de que seria muito provável a formação e ocorrência do El Niño, agravando o calor intenso pelas mudanças climáticas que podem colocar 2019 como o ano mais quente já registrado na historia, isso não é pouca coisa. Institutos de previsão climática e dos oceanos estimam que o El Ninõ pode durar até o fim de fevereiro.
Os quatro anos mais quentes da história foram justamente os quatro últimos, de 2015 a 2018, em função de crescentes emissões de dióxido de carbono (CO2) que agravam o calor, à revelia dos negacionistas que nada veem, nada sentem e nada pesquisam.
Sob o ponto de vista da ciência, cada grau de aquecimento faz diferença para a saúde humana, afetando o acesso à água doce e aos alimentos, além de favorecer a extinção de animais e vegetais. Um alerta para o qual não basta, individualmente, termos mais ou menos gelo ou cerveja na geladeira para combater o calor. É preciso ter consciência sobre o aquecimento global que é motivo de estudos incessantes por institutos e organizações nacionais e internacionais, incluindo a OMS e a OMM (Organização Meteorológica Mundial).
A FOLHA deseja a todos um ano novo com mais consciência e cuidados.


