2018 começa com um velho e conhecido problema
O Paraná registrou 11 fugas em apenas uma semana, com pelo menos 106 detentos escapando das carceragens de delegacias de polícia. O levantamento informal foi feito por policiais civis e divulgado em reportagem, nesta quarta-feira, na Folha de Londrina. A última fuga ocorreu na madrugada de terça-feira (2), em Assaí, quando seis detentos quebraram uma parede e serraram a grade que dava acesso aos fundos do imóvel. No momento da fuga, a carceragem, que tem capacidade para 24 detentos, comportava 54. Até as 12 horas de terça, nenhum homem havia sido recapturado. O levantamento considerou detentos que escaparam de cadeias públicas da capital e do interior desde o dia 27 de dezembro. Naquele dia, 16 detentos fugiram e outros quatro ficaram feridos em um incêndio provocado pelos próprios internos em duas galerias da carceragem da delegacia de Cambé. Com capacidade para 52 pessoas, o local tinha 193 homens. Entre os municípios que registraram essas ocorrências, estão também Ibaiti, Marilândia do Sul e Curitiba. É um velho problema que se repete todos os anos não só no Paraná, mas em todo o País. Em Goiás, uma fuga em massa, no dia 1º de janeiro, sucedeu um violento confronto entre gangues no Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia. Nove presos morreram carbonizados, sendo que dois também foram decapitados. Outros seis foram encaminhados para hospitais. Duzentos e cinquenta presos fugiram em Goiânia e até terça-feira (2) a polícia havia recapturado 140. A motivação da tragédia teria sido, segundo a polícia, a disputa por espaço no tráfico de drogas. Mais um velho problema, que entra em 2018 longe de uma solução. O Brasil tem uma das maiores populações carcerárias do mundo, mas especialistas têm se posicionado em voz comum: prende-se mal no País e um sistema penal falido não recupera e não significa segurança à sociedade. O cenário, os brasileiros reconhecem: dentro das cadeias superlotadas, criminosos perigosos impõem medo e comandam, com celular, cenas de caos e violência para quem vive fora dos muros das prisões.





