2016: ano da misericórdia e tempo de peregrinação
Rita Braile
O papa Francisco instituiu 2016 como o Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Os anos jubilares ocorrem a cada 25 anos. Como o último foi em 2000, ainda com João Paulo 2º, o próximo seria somente em 2015. Dessa forma, será aberto um ano jubilar excepcional, a partir da festa da Imaculada Conceição, no dia 8 de dezembro de 2015, que se concluirá no dia 20 de novembro do ano que vem, na solenidade de Cristo Rei do Universo.
Ao anunciar o Jubileu da Misericórdia na bula papal de abril deste ano, o papa Francisco lembrou que a Igreja tem como missão anunciar a misericórdia de Deus e que, por meio dela, precisa chegar ao coração e à mente das pessoas. Assim, ele convocou os homens e as mulheres de bem, em especial os cristãos, a peregrinarem até Roma e a voltarem-se mais para Deus, tanto nos atos pessoais como no estilo de vida que levam, em busca do perdão divino.
Existem diversos textos que falam sobre a misericórdia de Deus na Bíblia. Em Mateus 9, 13 Jesus diz: "Ide aprender o que significa. Prefiro a misericórdia ao sacrifício porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores". Ainda em Mateus 12, 7, Cristo lembra as palavras do profeta Oséias: "Eu quero a misericórdia e não os sacrifícios".
O Ano Santo é um tempo de paz, reconciliação e perdão. Ele começa quando o papa abre a porta santa da Basílica de São Pedro, no Vaticano, e termina quando a mesma se fecha. Trata-se de uma porta que é aberta somente durante o Ano Santo e simboliza o conceito de que, durante o Jubileu, é oferecido aos fieis um "percurso extraordinário" para a salvação.
Há uma porta santa em cada uma das basílicas papais em Roma: São Pedro, São João Latrão, São Paulo Fora dos Muros e Santa Maria Maior. As portas dessas basílicas serão abertas sucessivamente à abertura da primeira.
Aqueles que seguirem as normas da Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina, durante este período, receberão a indulgência divina. Resumidamente, ela ocorre quando o fiel atravessa com devoção uma das portas santas espalhadas pelo mundo, recita as orações do creio, do pai-nosso e da ave-maria na intenção do papa, confessa piedosamente seus pecados e participa da Eucaristia. "Espero que a indulgência jubilar chegue a cada um como uma experiência genuína da misericórdia de Deus, que vai ao encontro de todos com o rosto do Pai que acolhe e perdoa, esquecendo completamente o pecado cometido", refletiu o pontífice.
Para viver e obter a indulgência, os fieis são chamados a realizar uma breve peregrinação rumo à porta santa, aberta em cada catedral ou nas igrejas estabelecidas pelos bispos diocesanos, além das quatro basílicas papais em Roma, como sinal do profundo desejo de verdadeira conversão.
"Estabeleço, igualmente, que se possa obter a indulgência nos santuários onde se abrir a Porta da Misericórdia e nas igrejas que tradicionalmente são identificadas como jubilares. É importante que este momento esteja unido, em primeiro lugar, ao Sacramento da Reconciliação e à celebração da santa Eucaristia com uma reflexão sobre a misericórdia", recordou Francisco.
"Será necessário acompanhar estas celebrações com a profissão de fé e com a oração por mim e pelas intenções que trago no coração para o bem da Igreja e do mundo inteiro", acrescentou.
A experiência de se atravessar uma porta santa em ano jubilar, para quem tem fé e crê nas disposições papais, é única.
"Queridos irmãos e irmãs, pensei em como a Igreja pode tornar mais evidente a sua missão de ser testemunha da misericórdia. É um caminho que inicia com uma conversão espiritual. Por isso, decidi realizar um Jubileu extraordinário que tenha no centro a misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia. Queremos vivê-lo à luz da Palavra do Senhor: Sejais misericordiosos como o Pai (Lc 6, 36)", explicou o Pontífice na homilia de 13 de Março de 2015.
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