2014 e a economia
É praticamente consenso entre economistas, analistas e até entre parte da população que a economia brasileira saiu dos trilhos no recém-acabado 2013. Inflação em alta, baixo crescimento econômico, produção industrial fraca, consumo em queda, aumento da taxa básica de juros e balança comercial com o pior resultado desde 2001 foram assuntos que dominaram o noticiário econômico. No entanto, diante de tantos indicadores negativos, a pergunta que deve ser feita é: será que neste ano há perspectiva de melhora?
A resposta, por enquanto, é não. A inflação, calculada com base na variação de preços de vários produtos e serviços, deve continuar em alta. Como 2014 é ano eleitoral e a presidente Dilma Rousseff (PT) é candidata à reeleição, os preços controlados pelo governo podem continuar sendo "maquiados" como já aconteceu em 2013. Muito provavelmente o custo da gasolina e do óleo diesel não serão reajustados, como reivindica a Petrobras. A tarifa de energia elétrica, que foi baixada, também não deverá ter aumento real. Já os municípios serão "obrigados" a reajustar a tarifa do transporte público que ano passado permaneceram congeladas por causa das manifestações populares.
O grande problema é que a "bomba" deve estourar em 2015. Sem ajuste fiscal, contenção de gastos do governo e investimentos, a situação só tende a piorar. E também não há sinais de que isso será feito.
De positivo para os trabalhadores, por enquanto, só o aumento do salário mínimo. O novo valor, em vigência desde 1º de janeiro, de R$ 724 é o maior da série das médias anuais desde 1983, calculada pelo Dieese. Comparando com o preço da cesta básica, é o maior desde 95 (na série histórica que relaciona a média do salário mínimo com a da cesta básica anual). Apesar de ser um fator importante para a população, o custo não fica com o governo federal que define o índice de reajuste. Quem paga a conta são a iniciativa privada e as prefeituras, que detêm o maior número de trabalhadores que recebem esse salário. Em mais um exemplo, o governo não cumpre suas próprias obrigações e transfere responsabilidades.





