Ano de eleições, crescimento econômico, políticos sequiosos por votos da massa trabalhadora, candidatos do governo precisando apresentar os paraísos prometidos. Eis um cenário ideal para a discussão do projeto que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

Quem vai pagar mais esta conta - parte da farra que se instala logo no início do ano - é outra história. A redução é interessante para a qualidade de vida do trabalhador. E pode ou não transparecer positivamente no trabalho. Merece a atenção da classe empresarial.

E o governo? O governo deve entrar com a contrapartida no lugar das federações dos trabalhadores, que têm a força do voto e a vontade de agregar benefícios às suas categorias. Porém, elas não têm o que barganhar. Simples: se o governo quer reduzir a jornada - e agradar o trabalhador - deve logo no início acenar com desoneração do custo, por exemplo.

Afinal, por que um trabalhador tem que custar, para o empregador, quase o dobro do que recebe. Por que não flexibilizar certas exigências trabalhistas? O governo poderia começar pela redução dos encargos. O governo abriria mão de parte desses encargos em favor do trabalhador.

Ontem aconteceu a primeira reunião entre representantes das centrais sindicais e do setor empresarial com os políticos na Câmara Federal. O clima já é de pressão. Não precisava. Mas é de pressão, na medida que o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), faz ameaça pela imprensa.

A discussão nem começou mas o Paulinho Pereira está avisando: as centrais sindicais estão preparando paralisações nas fábricas no mês de janeiro, como forma de pressionar pela adoção das 40 horas semanais. Paulo é parte integrande do sindicalismo autoritário. Bem protegido nas mordomias da imunidade parlamentar e estabilidade sindical, ele se arroga no direito de quase insultar.

Sem contrapartida, talvez a aprovação do projeto que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, enfrente dificuldade, apesar do rolo compressor do governo, que vai somar com as entidades sindicais. Está na hora do Planalto se colocar com participante da solução.

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