2000, uma virada
de página ou data
significativa?
Sully Alves de Souza
Poucos aceitam que a chegada de 2000 signifique apenas uma virada de página na agenda: número tão significativo tem que trazer mudanças de vulto. Para atender aos que pensam assim, aqui vai o que gostaria de ler neste futuro próximo.
Inicialmente, confirmando o que temos ouvido a respeito, vislumbramos um novo tipo de jornal. Tamanho tablóide, feito de material assemelhado ao plástico, com qualidades receptivas como as da televisão, o qual todos os dias será impresso por meio de ondas que substituirão, em determinado momento, o texto do dia anterior e, quando necessário, imprimirão notícias urgentes ou de última hora.
Vão ser frequentes as notícias sobre os milagres da medicina com a confirmação das expectativas japonesas de vida normal aos 120 anos e, ainda, sobre as peripécias da ortopedia e da cirurgia, trocando tantas peças do corpo humano que já se prevê para os juristas o problema de saber se a pessoa ainda é a mesma.
Ficamos sabendo que a informática mudou todo o processo judicial, que passou para a tela do computador, e que o novo dispositivo do Direito Penal estipula que só fica na cadeia quem constituir perigo para a sociedade. Nada de superlotação nos presídios, que deixarão de ser fábricas de criminosos e se transformarão em escolas. Uma definição mundial: a saúde e a educação da criança serão prioridade universal.
Será finalmente escolhido o novo caminho político-financeiro. Capitalismo e socialismo se unirão, pois vai se chegar à conclusão que um não sobrevive sem o outro, já que a finalidade básica de qualquer sociedade é o bem-estar do indivíduo e da comunidade. A terceira via de que tanto se fala vai ocorrer com a união dos dois sistemas.
Reconhece-se que o esporte será sempre um elo de união dos povos e continuará organizado e supervisionado por entidades independentes, sem ligação com os governos. O futebol anunciará maior rigor nas punições das faltas, voltando-se ao jogo limpo da arte e do drible que notabilizou Pelé e Garrincha.
Confirma-se que as religiões estão se aproximando ecumenicamente e se fortalecendo, com a aceitação do princípio de que todas são meras intermediárias nos diversos caminhos da fé ou da crença em um poder superior.
Fantástico o reconhecimento de que o mundo está se integrando, pois todos podem atuar, ajudar ou se complementar numa nova globalização: Cuba atuando na saúde coletiva, a Suécia na produção de medicamentos, o Japão na organização, os russos na tecnologia espacial, os índios na medicação natural, o Brasil na tecnologia do álcool, os Sete Grandes nas ajudas financeiras. Postas as habilidades e potencialidades na mesa, sempre alguém tem alguma coisa para dar e receber.
Eis um resumo do que este leitor, aparentemente otimista, viu, leu, ouviu e depreendeu, certo de que o jornal também entende que a humanidade não é suicida, quer viver cada vez mais e melhor e pode contar com a sua imprensa para o que pretende.
SULLY ALVES de SOUZA é advogado em Brasília