1950: a década que persiste
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sexta-feira, 11 de abril de 2003
Edimarães Silvestre 
Eric Hobsbawn nos afirma que a história trabalha em círculos. A Bíblia nos relata que ''nada há de novo debaixo do sol'', pois ''tudo o que agora existe, já existiu antes.''
Tomando estas passagens como ponto de referência para o contexto dos pequenos municípios do Norte do Paraná, veremos que as citações do parágrafo anterior se aplicam a eles na sua integralidade. Não precisamos ser historiadores, precisamos ter consciência histórica. E é essa consciência que nos faz analisar a nossa microrregião como um lugar que parou no tempo, mais precisamente na década de 1950.
Nesta era da tecnologia e da globalização os pequenos municípios da nossa região ainda não completaram a sua Revolução Agrícola e nem sequer iniciaram a sua Era Industrial. Ou seja, em 53 anos os prefeitos destas comunidades não foram capazes de produzir um novo ciclo econômico.
Caso típico desse atraso ao qual estamos nos referindo, é o da saúde dos municípios da nossa microrregião. Na década de 1950 se uma pessoa precisasse de atendimento médico mais detalhado, ela era encaminhada para Castro ou para Curitiba. Nos dias atuais a mesma pessoa é encaminhada para Londrina, Ponta Grossa ou Ivaiporã. Portanto, desde 1950 não evoluímos no quesito saúde, apenas maquiamos os hospitais municipais.
Na educação, continuamos com as mesmas práticas estruturalistas e a ''pedagogia da nuca'' ainda impera. Na era da Internet, da tecnologia wap e da telefonia móvel, há escolas que não têm sequer telefone fixo. Na era da impressora laser e das fotocopiadoras, professores ainda estão imprimindo atividades para os alunos em mimeógrafos de estêncil a álcool (quando tem!).
No momento em que mais a sociedade discute a importância da educação para a transformação da nossa sociedade, ainda temos salas com mais de 40 alunos e as criminosas salas multi-seriadas para educação infantil. Ou seja tudo igualzinho a 1950 ou antes disso.
Na década de 1950 a grande preocupação dos prefeitos dos pequenos municípios da nossa região era fazer estradas rurais. Hoje, 53 anos depois, a preocupação ainda é fazer vias rurais. Ou seja em 53 não foram capazes de resolver o problema de estradas internas dos municípios. E continuarão a fazer estradas por muito tempo. Esperamos que elas não nos levem ao abismo social.
Se questões de infra-estrutura dos municípios da região ainda não foram resolvidas, que se dirá dos problemas sociais?
EDIMARÃES SILVESTRE é mestre em Educação e professor da rede pública estadual em São Jerônimo da Serra


