149 dias doados para o governo
O próximo domingo é uma data histórica para o contribuinte brasileiro. É que até este dia, o trabalhador terá desempenhado suas funções apenas para pagar impostos, taxas e contribuições federais, estaduais e municipais, segundo estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) e divulgado ontem pela FOLHA.
Serão 149 dias (mais de quatro meses) desempenhando funções para alimentar os cofres públicos - um dia a mais do que no ano passado. O Instituto apenas coloca no papel uma realidade que há muito os cidadãos sentem no bolso: os impostos estão pesando cada vez mais no orçamento doméstico. E o que é pior: sem o devido retorno em serviços públicos de qualidade.
Na comparação com outros países dá para se ter ideia ainda melhor do tamanho da ferocidade tributária que ajuda a travar a economia nacional. Na Suécia, que é considerada exemplo da promoção da política de bem-estar social, os cidadãos trabalham 185 dias para pagar impostos; na França, são os mesmos 149 dias que no Brasil; na Espanha, os contribuintes gastam 137 dias para cumprir suas obrigações; nos Estados Unidos, são 102 dias; e na vizinha Argentina, 97 dias.
Há oito anos a arrecadação está num crescimento contínuo no Brasil. Em 2003, o contribuinte deixou em média 36,98% de seu rendimento bruto com o governo. Ano passado o índice chegou a 40,54%, e em 2011 o percentual poderá atingrir 40,82%, segundo previsão do IBPT.
Quando nos confrontamos com esses dados fica ainda mais incompreensível entender a situação dos serviços públicos prestados para a população. Pagamos impostos equivalentes a países desenvolvidos, mas o retorno está muito aquém do necessário para uma vida mais digna.
Está na hora de sanar essa sangria, fechando as comportas do desperdício. Uma saída seria promover uma reforma tributária séria, mas, diante da inércia pela qual passa a classe política nos últimos dias, fica difícil acreditar que ela finalmente será votada.





