O município de Ubiratã (96 km ao sul de Campo Mourão) ostenta o título nada honroso de campeão estadual de dengue - doença que já atinge 1.800 dos quase 20 mil habitantes, ou seja, aproximadamente 10% da população. A epidemia alastrou-se de tal forma que as autoridades suspenderam a realização de exames: todos as pessoas que apresentam os sintomas passam direto para o tratamento. A população local reclama que não houve trabalho preventivo, com mutirões de limpeza, e a dedetização por caminhões fumacê foi precária. Nesta entrevista, o prefeito Fábio Dalécio (PPS), reconhece eventual omissão da prefeitura, mas também atribui responsabilidades aos governos estadual e federal.


Por que a situação chegou a esse ponto?

Gostaríamos de ter um diagnóstico preciso do governo do estado e do governo federal que identifique e nos oriente, para que isso não volte a acontecer. Até o momento nós não temos o diagnóstico do fator que levou a essa quantidade de casos no nosso município.


Evidentemente, houve falha...

É possível que haja omissão do poder público municipal, no que diz respeito à fiscalização das casas. É possível também que exista omissão do governo estadual, em dar a orientação devida aos agentes da dengue. E há também possibilidade do governo federal, no que diz respeito a maior divulgação na mídia da importância do trabalho de cada um na sua casa.


Se a parcela maior de culpa for do estado e união, não seria de se imaginar mais municípios na situação de Ubiratã?

Ainda não existe um diagnóstico do governo para dizer onde erramos. Só a partir do momento em que eles indicarem, isso aqui está errado, aquilo não foi feito, aí é que vamos assumir essa culpa. Por enquanto, trabalhamos arduamente na contenção do problema.


Como se cobrar responsabilidades num caso desses?

Se por acaso se constatar uma falha na equipe de combate à dengue, que é custeado com recursos do governo federal, é claro que os agentes vão passar por um processo administrativo e vão responder pela eventual falta de atenção às normas e às determinações do governos federal e estadual.


E a responsabilidade do poder público pela demora em se dar conta da gravidade do problema?

Na semana em que tivemos os primeiros 30 casos confirmados, estive imediamente em Curitiba, com o secretário estadual de Saúde, Cláudio Xavier, e solicitei um aparato extra no sentido de nos orientar sobre as medidas a serem tomadas. Imediatamento o governo nos atendeu, mandou técnicos para cá, e determinou que fossem feitos arrastões. Nós fizemos cinco. É claro que o problema não foi resolvido, a situação continuou se agravando, mas aquilo que foi determinado nós fizemos. Então, fica aí a pergunta: o que deu errado? Por que não houve a contenção da doença? Foge ao conhecimento do município o porquê não estar resolvendo.


Os agentes são treinados pelo Estado?

Exato. Periodicamente deveria acontecer treinamentos, novas determinações, enfim, as pessoas tem que ser treinadas. Não estou dizendo ainda que houve essa falha, mas vamos procurar saber se foi dado o treinamento no prazo previsto.


Por que os exames foram suspensos? Há quem diga que é uma tentativa de mascarar as estatísticas...

A informação que chegou até mim é que o custo do exame é mais alto do que o custo do tratamento. Quer dizer, você tem que ter o exame para detectar o surto, ou epidemia, e aqui nós já temos isso constatado. E o governo entende que não é mais importante o número, e sim o tratamento. Então, eles estão deixando de lado o investimento no teste para, acredito eu, investir mais no tratamento das pessoas e na prevenção.

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