1 milhão de árvores para Londrina
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sexta-feira, 21 de setembro de 2001
Luiz Eduardo Cheida 
''Se as coisas são inatingíveis...ora! Não é motivo para não querê-las... Que triste os caminhos se não fora. A presença distante das estrelas'' (Mário Quintana). Não faz tanto tempo, o que hoje é Londrina, era uma imensa floresta. Nela, a pontualidade das chuvas, o ritmo das estiagens, a velocidade dos ventos, a intensidade de luz, a média de temperatura, enfim, o clima, resultava de milhões de anos de evolução.
À primeira árvore tombada, sucederam-se centenas de milhares de outras. Bastaram poucas décadas de atividade humana para que este frágil equilíbrio fosse rompido. Hoje, restam pouco mais de 260 mil árvores nos 13 mil quarteirões de malha urbana. Mesmo as poucas manchas verdes, estoicamente preservadas, como o Bosque, o Parque Arthur Thomas e outros pequenos remanescentes, misturam-se a espécies vindas de outros continentes, depois que dilapidaram as árvores comercialmente interessantes.
Nas ruas de comércio, não há árvore que pare em pé. Há quem diga que atrapalham os letreiros das lojas. Nos bairros, onde a tubulação de esgoto passa, meses mais tarde, elas adoecem e morrem. A descuidada técnica utilizada, corta suas raízes, condenando-as à morte. Mas, há quem mate uma árvore porque a passarinhada resolveu elegê-la como casa.
Há também quem a condene à morte porque entope a calha, ou suja a calçada com suas folhas, ou faz cair resina sobre a pintura do carro, ou pode esconder bandido, ou estoura a calçada, ou serve de ponte para o marginal alcançar o muro, ou porque o gato sobe nela e não consegue descer, ou porque faz sombra demais, ou porque faz sombra de menos, ou porque, no novo projeto da casa, ela ficou na frente da garagem ou, na maioria das vezes, porque não gosta de árvore e pronto.
Hoje, mais de 50 mil delas estão condenadas. Muitas, corroídas por cupins ou infectadas por bactérias e fungos, resultado de podas drásticas e criminosas. Outras, estranguladas pelo cimento das calçadas, com raízes apodrecidas, estão na iminência de tombarem. Há espécies inadequadas, como os gigantescos eucaliptos, grevilhas e santas-bárbara, que ameaçam residências e transeuntes. Este é o resultado do interesse que a cidade demonstra para com a sua arborização.
Mas, árvores reduzem a velocidade dos ventos, removem o gás carbônico do ar, abafam ruídos, atraem pássaros, reduzindo insetos transmissores de doenças, estabilizam a temperatura e há estudos indicando que a cor verde diminui a frequência cardíaca em alguns seres vivos. Assim, não bastasse sua beleza, elas são fundamentais na saúde humana. E, convenhamos, já passou da hora de fazer justiça para com a natureza que tem sido tão generosa para com o povo de Londrina.
Por isso, vamos plantar árvores. Vamos plantá-las nas praças, nas ruas, nos canteiros centrais de avenidas e nos fundos de vale. Vamos plantar árvores frutíferas, árvores de sombra, árvores nativas.
Vamos plantar 1 milhão de árvores em Londrina! Se cada londrinense plantar três, plantaremos 1 milhão delas. No dia de hoje, começaremos o plantio. Um sonho? Antes de mais nada, um desafio. Se aceito, estaremos garantindo às futuras gerações uma cidade mais linda e equilibrada do que a bela Londrina que herdamos de nossos antepassados.
- LUIZ EDUARDO CHEIDA é presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA)


