A difícil trajetória dos imigrantes haitianos no Brasil foi o tema da reportagem de domingo da Folha de Londrina. Desde janeiro de 2010, quando o Haiti foi atingido por um terremoto devastador, o nosso País passou a representar um "porto seguro" para homens e mulheres que perderam tudo: casa, emprego, família, amigos, parentes e bens materiais. Só não perderam a esperança. E foi essa fé no futuro que trouxe 25 mil haitianos para o Brasil. Cento e vinte deles estão em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, cidade visitada pela equipe do jornal. A FOLHA mostrou o esforço que os caribenhos estão fazendo para se integrar e para serem aceitos pela comunidade.
O terremo que destruiu o Haiti deixou centenas de milhares de mortos e mais de três milhões de pessoas desabrigadas. Imagine essa catástrofe em um país que já estava com a economia devastada pela instabilidade política.
O Brasil abriu as portas, oficialmente, para os haitianos em janeiro de 2012, com a resolução nº 97. Apesar de muitos deles terem formação universitária, dominar vários idiomas e contar com um currículo rico em experiência e títulos, por aqui eles conseguiram colocação no trabalho braçal, principalmente na construção civil e em frigoríficos. Nas entrevistas concedidas à FOLHA, chama a atenção a alegria dos caribenhos pela condição de "empregado" - ou pela "carteira assinada", como dizem os brasileiros. Eles sabem que a força de trabalho é, neste momento, o principal requisito que possuem.
Teoricamente, o Brasil está de "portas abertas" para essa nova corrente imigratória entre o Caribe e a América do Sul. Mas, na prática, os relatos dos haitianos dão conta de um grande desamparo. As dificuldades são imensas e acontecem durante a viagem, desde a saída do Haiti até a chegada no Brasil, passando por países não muito acolhedores. Muitos foram trazidos por facilitadores (os chamados coiotes) que cobram caro por isso. A viagem pode demorar até três meses.
A maioria desses estrangeiros tem compromisso de sustentar a família que ficou no Haiti e a necessidade obriga os imigrantes a tolerar condições de trabalho e de moradia precárias. Apesar de acolhedor, o Brasil precisa criar políticas públicas específicas para os haitianos. Há dificuldades com o idioma, com a integração econômica e com a inclusão social.





