Viticultura já emprega 1,8 mil em Bandeirantes
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quarta-feira, 21 de agosto de 2002
Benedito Teles<br> Equipe da Folha 
Em Bandeirantes a viticultura movimenta anualmente R$ 4,5 milhões e emprega cerca de 1,8 mil pessoas, direta e indiretamente. Uma história que teve início há 50 anos com o registro dos primeiros produtores, mas que se expandiu na década de 80 com o declínio do algodão e se consolidou na década de 90. Nos últimos cinco anos o município substituiu o rótulo de produtor secundário para um padrão e qualidade reconhecida e procurada nacionalmente. A produção de cinco mil toneladas/ano ocupa uma área de 250 hectares.
O extensionista da Emater José Evangelista da Silva disse que o objetivo dos produtores é aumentar a produtividade e buscar diferenciais para ampliar mercado. Ele explica que a produção de Bandeirantes é reconhecida no Paraná pelo padrão e qualidade dos frutos. Silva disse que o processo de melhoria na qualidade teve início há cinco anos com a utilização de novas técnicas e o desenvolvimento tecnológico dos produtores. ''Nossas uvas são coloridas, grandes e doces, mas com uma menor utilização de agrotóxicos'', disse.
Segundo os técnicos da Emater as características de cada variedade como a coloração, dimensão e sabor são preservados durante o cultivo. O objetivo é a manutenção da qualidade e uniformidade da uva. O produtor Aparecido Humberto Marcon disse que cultiva um hectare. Ele disse que houve uma mudança de pensamento dos viticultores. Segundo ele, antigamente os produtos não alcançavam bons preços e a venda em consignação às vezes não custeava a produção. ''Agora com produtos de qualidade temos o retorno financeiro assegurado'', disse.
O presidente da Associação de Desenvolvimento Comunitário Três Águas (Adecot), José Pedro Marson disse que os viticultores perceberam que se o produto não tivesse qualidade não haveria mercado. Marson informou que, em seguida, os produtores começaram a classificar as uvas e obter preços melhores com os lotes que apresentavam qualidade superior. O presidente disse que a caixa, seis quilos, vendida em consignação chegou a ser comercializada por R$ 0,50. A caixa da uva atualmente é vendida, em média, por R$ R$ 6,00.
O município tem 150 produtores organizados em associações formais ou informais. A principal entidade, 108 produtores, é a Adecot. Em um hectare o viticultor obtém, em média, 5 mil toneladas/ano com um custo de cerca de R$ 1,8 mil. O setor é formado por pequenas propriedades com mão-de-obra familiar. Na produção de uva fina de mesa se destacam as variedades Itália e Rubi. A produção local abastece o sudeste do País e os Estados de Goiás e do Paraná.
Os técnicos da Emater estão entusiasmados porque a partir da próxima safra a produção de Bandeirantes será beneficiada com a implantação do certificado fito-sanitário que deverá registrar todo o processo de produção que envolve a uva, desde a origem até o destino. O consumidor, segundo o órgão, terá maior segurança na aquisição dos frutos.
O secretário municipal de agricultura e meio ambiente de Bandeirantes, Mauro Uyeno, disse que a administração municipal, junto da Emater, elaborou um programa para estimular a atividade com a melhoria na qualidade e na comercialização. A prefeitura, então, se concentrou no setor de logística com a melhoria nas estradas rurais. Ele confirmou que a viticultura rivaliza com a soja e a cana como principais geradoras de renda e emprego no município.
A Associação de Desenvolvimento Comunitário Três Águas (Adecot) localizada a cinco quilômetros da cidade, reúne os produtores dos bairros da Água da Divisa, Água Seca e Água Vermelha. Informações: Adecot - Bairro Água da Divisa, caixa postal 43 e fone: (43) 542-3134.


