Violência Doméstica
O significativo avanço feminino em vários segmentos e setores sociais é incapaz de ocultar a mais cruel sequela da discriminação: a violência doméstica.
Parece ainda proliferar o costume da antiga sociedade, na qual somente cabia o espaço público ao homem, e à mulher, o privado; nos limites da família e do lar, onde o desempenho respectivo das funções gera a promoção da família por parte do homem e a mulher restritamente, cuidar do lar, implicando como obrigação apenas cuidar dos afazeres domésticos e dos filhos se furtando a toda e a qualquer outra aspiração. A mulher é impedida inclusive de ter oportunidade a uma cultura maior, tornando-se literalmente dependente do esposo, tanto do lado emocional, quanto financeiro.
Sempre é necessário que a mulher esteja em condições de concorrer com o homem no mercado de trabalho. É a forma de se enfrentar as dificuldades da atualidade, mesmo porque, devemos nos preparar para toda e qualquer eventualidade, pois muitas vezes uma condição cultural maior por parte da mulher poderá ser ocasionalmente a solução de uma situação indesejável e repentina.
O surgimento dos filhos poderá dificultar e exigir esforços redobrados na conciliação do lar, família e trabalho; mas jamais deverá ser um problema, porque não só de coisas materiais depende nossa felicidade.
A mulher dependente, muitas vezes é escravizada, desconhece seus deveres e seus direitos e mesmo, eventualmente, necessitando tomar algumas providências em casos fortuitos, pois teme ficar só, já que em tudo é dependente do esposo.
A evolução e as conquistas das mulheres, levaram ao surgimento de uma nova postura feminina que impõe a redefinição do modelo ideal de família. A mulher, ao se integrar no mercado de trabalho, saiu do lar, impondo ao homem a necessidade de assumir a responsabilidade também dentro da casa e esta transformação dos parâmetros errôneos de outrora, enseja muitas vezes um desequilíbrio, terreno fértil ao surgimento de conflitos, devendo sempre prevalecer o bom senso e a inteligência, evitando como consequência inicial a violência doméstica.
Muitas vezes, o homem não admite ter uma esposa independente financeiramente, com grande círculo de amizades e com o nível cultural elevado, surgem então as rusgas e cada qual procura usar suas armas, o homem os músculos e as mulheres as lágrimas.
Muitas dessas mulheres mesmo tendo educação cultural superior, vítima de uma maior violência masculina, se acham merecedoras da punição, sentindo-se culpadas por terem desatendido as tarefas que lhe são afeitas como a rainha do lar e que acreditam que não estão cumprindo o papel de esposas.
Este sentimento de culpa, inclusive, a impede de usar a queixa junto a uma delegacia, como forma de fazer cessar a agressão. Por tudo isso, é que se faz necessária uma pausa a reflexão e a tomada de consciência, tornando-se imperioso que a mulher busque identificar as causas da violência da qual é vítima e procurar lutar para que possa ser encontrada uma solução para que a família, célula da sociedade, subsista sadiamente.
Embora com dificuldades as mulheres constantemente fazem novas conquistas no contexto geral e com isso, muitos direitos são adquiridos e é preciso que estes direitos prevaleçam e saibamos quando e como usa-los.
Eliana Aparecida Ribeiro
Delegada de Polícia Cornélio Procópio - PR





