Vinho sem álcool também é medicinal
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quinta-feira, 06 de dezembro de 2001
Marcos André Brito<br>De Bandeirantes - Especial para a Folha 
Quando estava promovendo a degustação de vinho em supermercados da região, o empresário José Aparecido Martins, proprietário da Leoni D'Oro do Brasil, se deparou com uma situação peculiar. Muitas pessoas recusavam provar o vinho porque eram hipertensos, cardíacos ou abominavam a bebida alcoólica. Intrigado, o empresário percebeu ali um novo nicho de mercado. Passou então a pesquisar uma fórmula para produzir vinho sem álcool e acabou descobrindo, por acaso, não só um produto saboroso, encorpado e de excepcional qualidade, mas também uma bebida que pode ser servida até mesmo para diabéticos. Nascia ali o Leoni Drink.
Estudos da Universidade de Harvard (EUA) mencionam o consumo moderado de vinho tinto como fator de prevenção. O vinho tinto começou a chamar a atenção dos cardiologistas no início da década de 90. Não é a bebida em si que ajuda o coração, mas os flavonóides, pigmentos naturais encontrados na casca da uva rosa. Eles reduzem as taxas de colesterol ruim do sangue e limpam as coronárias. Os médicos, no entanto, não se sentiam a vontade para receitar bebidas alcoólicas afinal elas podem causar outros males. Com o Leoni D'Oro, o vinho produzido por Martins, o problema está solucionado. Trata-se de um vinho fermentado e que pode ser consumido a qualquer tempo.
O empresário descobriu a fórmula de isolar o álcool do flavonóide acidentalmente. Na realidade, Martins não sabia que com a experiência estava criando não só um tipo de vinho sem álcool mas também um medicamento capaz de produzir efeitos fantásticos nos cardíacos.
Conforme o empresário, cardiologistas da região de Assis (SP) já estão receitando o Leoni Drink para seus pacientes. Martins explica que o vinho normal, com álcool, tem espaços entre uma molécula e outra. O sem álcool é feito com a concentração destas moléculas.
Nos vinhos comuns, nos espaços entre as moléculas é detectada a presença de álcool, a água da uva e outros componentes. O vinho sem álcool não tem esta mistura entre as moléculas, o que aumenta a presença dos flavonóides em cerca de 40%, tornando o vinho mais encorpado e puro. ''Então, no vinho sem álcool, há mais moléculas de flavonóides por centímetro quadrado do que o comum, sem os riscos que a bebida alcoólica oferece. Se a pessoa for utilizar o vinho para efeito medicinal, ele terá muito mais flavonóides do que o vinho normal'', explicou.


