Varredora de rua chama atenção pela vaidade
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quarta-feira, 04 de dezembro de 2013
Aline Damásio<br>Especial para a FOLHA 
Santo Antônio da Platina - Pelas ruas de manhã, equipada com carrinho de lixo e uma vassoura, Dulcinéia Gomes de Lima integra o grupo de varredoras de rua em Santo Antônio da Platina e chama a atenção dos moradores da cidade por uma motivo: a vaidade. Numa profissão onde normalmente as mulheres usam uniformes ou roupas pesadas para se proteger do sol, a varredora vaidosa se destaca pela elegância, com uso de maquiagem e joias mesmo atuando no trabalho pesado de limpeza das ruas.
No lugar do tradicional chapéu ou boné, a varredora costuma usar sempre boinas e lenços coloridos. Nas mãos, as luvas dão lugar às joias e bijuterias, e o visual se completa com colares e brincos. Ao invés da botina, Dulcinéia sempre está de salto alto e a maquiagem também não pode faltar para compor o traje que ela usa para trabalhar. "Sempre me vesti assim, gosto de ficar bonita, me sentir bem, mesmo no trabalho", relata.
Mãe de sete filhos e avó de 15 netos, Dulcinéia conta que acorda às 5h para varrer ruas e que, mesmo em serviços diferentes, jamais deixou a vaidade de lado. "Trabalhei como boia-fria e catadora de lixo, e nunca deixei de me arrumar, sempre vestida deste jeito; algumas amigas me chamam de cigana por causa das joias", conta.
As companheiras de trabalho contam o orgulho que sentem da varredora. "Por causa do trabalho às vezes esquecemos de nos valorizar, e a Dulcinéia é um exemplo para nós mulheres, que não devemos perder nunca a vaidade, independente de onde trabalhamos", diz a varredora Tereza dos Reis Carmo. "Eu como colega acho ela muito elegante, se veste muito bem, eu não conseguiria trabalhar assim", relata a companheira de trabalho Eulália Duarte Ferreira.
Propostas
Por conta da vaidade, Dulcinéia conta que já recebeu inclusive outras propostas de trabalho. "O dono de uma loja me viu na rua e insistiu para que eu fosse trabalhar com ele, mas não aceitei. Outras pessoas também me param na rua para elogiar", diz. A varredora relata que algumas pessoas até duvidaram do seu rendimento no emprego por causa da vaidade. "Odiei quando tive de usar uniforme, as pessoas pensam que por eu me vestir assim não trabalho bem, ao contrário, gosto de me vestir assim e meu serviço rende muito, mesmo no salto alto", frisa.
Dulcineia é varredora há dez anos e trabalha das 5h às 12h, fazendo limpeza diariamente pelas ruas da cidade. Simpática, ela diz que nunca pensou em seguir outra profissão. "Nós agarramos aquilo que a vida nos oferece. Já tive empregos piores; hoje estou bem, sou concursada e não pretendo mudar nem de emprego nem meu jeito de ser; já se acostumaram comigo", diz.


