Cornélio Procópio – Após denúncia anônima sobre suspeita de superfaturamento em licitações de prestação de serviço realizadas nos últimos três anos, efetuada em março, a Auditoria Interna da Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR), em Curitiba, vem realizando desde setembro trabalhos para apurar possíveis irregularidades no campus de Cornélio Procópio, estendendo-se a outras licitações e contratos que envolvem a manutenção de veículos, serviços de reprografia e obras. Estima-se que o superfaturamento gire em torno de R$ 2,7 milhões, mas, segundo informações do chefe da Unidade de Auditoria Interna, Sadi Daronch, "(...) diante das diferentes variáveis para o cálculo da perda e sem o contraditório dos agentes envolvidos, a Auditoria Interna não ousa em estimar essa quantia". Com mais de 100 anos de atuação, a unidade de Cornélio Procópio integra há 10 anos a instituição federal. "É a primeira vez que o nome da Universidade foi envolvido em uma desordem dessa natureza, que entristece o campus, a UTFPR e a sociedade", lamenta Daronch, em declaração enviada por e-mail.
Até agora duas auditorias internas já foram concluídas – referentes à manutenção de aparelhos de ar-condicionado (RA2015014-01) e abastecimentos e manutenção da frota e serviços de reprografia (RA2015014-02) – e os relatórios encaminhados à Controladoria-Geral da União no Paraná e, ainda, serão enviados ao Ministério Publico Federal e outros órgãos federais, se necessário. Uma terceira auditoria interna está em fase de finalização – sobre aquisição de materiais de construção e serviço de manutenção de bens imóveis. Ainda está prevista a análise das contratações de obras, informática e serviços de limpeza. "Neste caso, estes trabalhos estão apenas se iniciando, não há prazo para finalização e ainda não há nenhum achado de auditoria", adianta Daronch.
Com relação aos relatórios finalizados - disponíveis no link http://www.utfpr.edu.br/estrutura-universitaria/audin/relatorio-de-auditoria-da-audin - foi verificado falhas graves na contratação e na fiscalização pelos entes públicos envolvidos no processo e, por essa razão, o reitor Carlos Eduardo Cantarelli abriu sindicância para apurar a participação de servidores nas contratações. A comissão foi instaurada pela Portaria n° 2271, de 27 de novembro de 2015, disponível no link http://www.utfpr.edu.br/estrutura-universitaria/diretorias-de-gestao/diretoria-de-gestao-de-pessoas/portarias-do-reitor/portarias-2015/portaria-2271_2015designa-comissao-de-sindicancia/view, e terá o prazo de sessenta dias para concluir os trabalhos.
De acordo com o chefe da auditoria interna, nos relatórios estão sendo listadas as empresas cujas contratações causaram prejuízos à administração pública, mas não foi afirmado se houve participação das mesmas. Entre as empresas citadas até agora, estão Refriar, Expresso Auto Center, Autoposto Paloma II e Encadernadora Procopense.
Além das contratações e fiscalizações inadequadas, a auditoria apontou que a falha mais comum até agora verificada foi atestar notas fiscais sem a devida conferência com as mercadorias e serviços recebidos. "A maior desordem foi as conversões, na nota fiscal consta determinado produto ou serviço, enquanto o campus informou que recebeu outro serviço ou material", informa Daronch.
O diretor-geral Devanil Antonio Francisco e o diretor de Planejamento e Administração Sandro Rogério de Almeida pediram desligamento de suas funções e o assessor de Planejamento Eduardo José de Oliveira foi substituído. Todos permanecem afastados das funções de chefias para que as apurações ocorram sem qualquer interferência da equipe diretiva.
O diretor-geral interino agora é o professor Paulo Cézar Moselli, que era coordenador do curso de Engenharia Mecânica em Cornélio Procópio. Pelo regimento dos campi da UTFPR, o mandato do diretor-geral é de quatro anos. No caso de vacância do diretor, se transcorridos mais de dois anos de mandato, contados a partir do ato de nomeação ou recondução (no caso de reeleição), o reitor designará o diretor-geral interino, como foi o caso. O interino fica no cargo até o próximo processo eleitoral, previsto em março/abril de 2017.

DISPARATES

Nos relatórios de auditoria apresentados até agora, alguns números chamam a atenção. É o caso da despesa de manutenção de ar-condicionado que orçada em R$ 6.919, chegou a R$ 136 mil, isto é, 19 vezes a mais o valor licitado. No caso de abastecimento e manutenção de viaturas, há comprovação de lavagem de carro a cada 2,4 dias úteis, assim como custo por quilômetro rodado reajustado em 36% (chegando a onerar em até 470% mais do que a média). Há também o caso de readaptação e pintura de carreta agrícola que equivaleria a duas vezes o seu custo histórico, entre outros.

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