Unidade móvel do Brasil Sorridente está parada há quatro anos
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terça-feira, 12 de julho de 2016
Luiz Guilherme Bannwart<br>Especial para a FOLHA 

Santo Antônio da Platina - Agosto de 2012. Em transmissão ao vivo de Rio Pardo (MG), a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) anunciou Santo Antônio da Platina e outros três municípios como os próximos contemplados do projeto Brasil Sorridente, do Ministério da Saúde, que prometia estruturar o atendimento odontológico à população através de investimentos nos centros de especialidades e por meio de unidades móveis que levariam profissionais às comunidades carentes. Além das cidades mineira e parananense, Ananindeua (PA) e Caxias do Sul (RS) foram reconhecidas pela presidente como os municípios que mais se destacaram à época na área. Satélites instalados no pátio do Centro Social Urbano (CSU) transmitiram a entrega de equipamentos e do veículo avaliado em R$ 154 mil, que nunca funcionou em Santo Antônio da Platina.
Durante 12 meses, a Unidade Odontológica Móvel (UOM) ficou impedida de deixar o pátio da Secretaria Municipal de Saúde por questões administrativas que impediam o emplacamento do veículo. Quando finalmente a documentação foi regularizada surgiram outros problemas, e o projeto mais uma vez não pôde ser colocado em prática.
O espaço construído com equipamentos modernos iguais aos que são encontrados no Centro de Especialização Odontológica (CEO), incluindo aparelho de raio-X, sistema de refrigeração, entre outros acessórios, demonstravam que todos os detalhes haviam sido criteriosamente estudados para o funcionamento da unidade. Porém, os responsáveis pelo projeto não se atentaram para dois fatores cruciais. O espaço para a assistente do profissional em odontologia que durante os atendimentos é obrigada a ficar do lado de fora do veículo e a fragilidade do gerador, que impede o consultório móvel de funcionar.
Ainda assim, a Prefeitura de Santo Antônio da Platina tentou dar início aos atendimentos à população, mas logo o veículo precisou ser novamente encostado no pátio da Secretaria Municipal de Saúde. "O repasse mensal do governo federal na ordem de R$ 3,7 mil é insuficiente para pagar os profissionais e realizar a manutenção da unidade. Para o município, é mais viável disponibilizar um micro-ônibus para buscar e depois levar os pacientes do que manter o projeto", analisa o coordenador do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) de Santo Antônio da Platina, José Mário Domingos Fraiz.
Ainda de acordo com o dentista, o município atendeu todos os requisitos do Ministério da Saúde, porém, para ele o projeto fracassou. "As poucas vezes que tentamos utilizar a unidade móvel tivemos uma série de transtornos. Uma delas foi à necessidade de um eletricista da prefeitura ter que puxar energia elétrica de um ponto disponível para os equipamentos funcionarem. Todas as exigências da portaria publicada pelo Ministério da Saúde foram cumpridas, mas o órgão nunca nos ofereceu o respaldo necessário para o funcionamento do projeto, que dificilmente irá prosperar", concluiu.
O Ministério da Saúde reconheceu o problema com as Unidades de Atendimento Móvel do Projeto Brasil Sorridente, e informou que um novo estudo está sendo desenvolvido pelo órgão para que a proposta seja retomada. No entanto, o prazo para a conclusão dos trabalhos não foi revelado.
ODONTOLOGIA NAS ESCOLAS
De acordo com Fraiz, a prefeitura chegou a dar início no projeto municipal Odontologia nas Escolas, por meio da unidade móvel doada pelo governo federal. Em apenas uma das escolas, os profissionais atenderam mais de 800 alunos. No entanto, por conta da redução no valor do repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) através da União, os trabalhos tiveram que ser interrompidos.


