A expansão em Terra Nova se fez na euforia, quando o café dava samba. ''Bom dia, café! O café que a gente toma e que tem um doce aroma nessa terra primaveril, (à) ouro verde esperança que a brisa beija e balança nas manhãs do meu Brasil'', diz o samba de Victor Simone, entre os mais cantados por volta de 1960. No auge paranaense, com 1,6 milhão de hectares e 21,4 milhões de sacas beneficiadas (mais de 54,04% da produção brasileira) em 1961-62, já era preciso racionalizar, renovar e erradicar (planos oficiais) nas áreas ocupadas há mais tempo.
Começou o declínio, apressado pela geada de 1975 e uma série de contingências a seguir, que determinaram a extinção do Instituto Brasileiro do Café, em 1990. Em 1996, o Paraná estava com apenas 141,1 mil hectares de café.
O arremate veio com o Plano Real, em vigor a partir de 1994, sem nenhuma intervenção do Governo que correspondesse ao anseio dos produtores, deixando-os sem amparo pela primeira vez na história das crises cíclicas do café, expõe o economista Santo Pulcinelli Filho, do núcleo da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado (Seaab), em Cornélio Procópio. ''Empobrecimento da cafeicultura nos primeiros 15 anos do Plano Real'' é o título de sua tese de pós-graduação, a ser apreciada na Universidade Federal do Paraná, em que demonstra a inviabilidade a que se chegou, apontando entre as distorções o preço ao produtor quase estagnado ante reajustes até acima de 750% de insumos e de 655% do salário mínimo.
O que se vê em São Jerônimo e outros municípios são apenas ''gotas'' em comparação às perdas no passado. Nem os mais bem-estruturados cafeicultores suportaram, observa Pulcinelli, mencionando Wilson Baggio, que eliminou um milhão de plantas, ficando sem nenhuma; e a família de José Ferroni, que erradicou tudo nos 2.017 hectares em Ribeirão do Pinhal. (W.S.)

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