A mobilização dos prefeitos e líderes do Norte Pioneiro pela reativação do ramal ferroviário Ourinhos-Jaguariaíva é uma luta digna e justa. Como toda grande luta, deverá ser dura, já que envolve o contrato de concessão de exploração da ferrovia à América Latina Logística (ALL), que deverá defendê-lo com todos os seus recursos. Suspender a validade do contrato, como pretendem os integrantes da campanha, deverá ser o passo mais complexo.
Mas a proposta tem um argumento muito forte, porque, segundo os prefeitos, o trecho Jacarezinho-Jaguariaíva foi desativado há um ano e isso não é permitido à concessionária.
Independente da questão contratual, a reivindicação do Norte Pioneiro não poderia ser mais correta. Os municípios da região buscam, como de resto todo o País, instrumentos para estimular ou retomar o crescimento econômico, estagnado nos últimos anos. Para os que têm uma grande estrutura, como o é o ramal ferroviário, é justo defendê-la e não permitir sua deterioração.
Se para a ALL o trecho Jacarezinho-Ourinhos não tem viabilidade econômica, para os municípios ele pode ser um eixo de atração de investimentos no turismo. Essa bandeira tem o fundamento necessário e deveria ser assumida pelas autoridades, conforme já teria sido acenado pelo próprio governador Jaime Lerner durante recente visita à região.
A história das ferrovias no Brasil seguiu na contramão do primeiro mundo, com os investimentos tendo sido substituídos pelo abandono em favor de interesses de uma parcela da indústria dos transportes rodoviários. No Norte Pioneiro, os trilhos e os vagões que transportaram as riquezas e os pioneiros das primeiras décadas do século XX hoje são esqueletos perdidos em tristes curvas tomadas pelo mato.

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