‘‘Eu vim por opção’’, afirma convicta a aposentada Floriza Lauriana Martins, 73 anos. Com lucidez e simpatia a dona de casa explica que chegou ao Asilo São Vicente de Paulo, em Jacarezinho, há cerca de uma semana e está feliz. Apesar da casa própria, nos fundos da residência de um dos filhos, e da renda da aposentadoria, ela optou pelo asilo.
Dona Floriza garante que não sentiu medo e que está contente. Ela explica que sempre visitou o irmão, que também está abrigado no local, e que a opção foi motivada pela dificuldade em se locomover. ‘‘Percebi que iria dar trabalho para meus filhos, por isso achei melhor receber um tratamento especializado’’, disse.
A região do Norte Pioneiro tem quase 20 asilos, com aproximadamente 650 internos. Cada instituição mantém, em média, cerca de 40 idosos. Ao contrário dos grandes centros urbanos, em que se registra a expansão de asilos particulares, na região predominam os abrigos mantidos por instituições religiosas, associações ou entidades civis organizadas.
O levantamento realizado pela Folha apurou que mais de 60% dos municípios da região mantêm alguma entidade assistencial ao idoso. São asilos, lares, sociedades ou associações. As instituições abrigam os idosos e prestam assistência alimentar, alojamento e medicamentos. A manutenção financeira, na maioria das vezes, é por meio de doações, colaborações de empresas ou com a utilização de parcelas da aposentadoria dos idosos.
O maior asilo da região é o São Vicente de Paulo, em Jacarezinho, com 80 idosos. A instituição, fundada há 50 anos, recebe, em média, 20 visitantes por dia e é mantido pelos vicentinos. A administradora e religiosa Alzira Zardo disse que os recursos financeiros são obtidos junto à comunidade. ‘‘Sem o apoio da comunidade não poderíamos manter este espaço. As campanhas e as doações são fundamentais para a prestação de serviços’’.
O aposentado Angelo Teodoro Souza, 43 anos, portador de deficiência física, também afirma que foi para o asilo por conta própria. Ele explica que parte de seus membros estão paralisados após passar por uma cirurgia, por isso preferiu optar pela vida na instituição de Jacarezinho. ‘‘Tenho outro irmão alojado aqui. Então, escolhi ficar para não comprometer o cotidiano dos meus familiares e manter minha vida’’, declarou. Ele tem esperanças de se recuperar, mas afirma que está satisfeito com o atendimento e com a convivência no local.
A funcionária do Asilo São Vicente de Paulo, Cleuza Borges, trabalha há seis anos em Ibaiti e diz que a rotina faz com que a comunidade se torne uma família. Ela explica que a convivência promove o apego com os idosos e cria uma relação de amizade entre funcionários e internos. ‘‘Criamos uma espécie de família. Quando sentimos problemas eles percebem e quando os problemas de saúde deles aumentam nos preocupamos’’, afirmou.
O entusiasmado funcionário do Asilo São Francisco de Assis, em Abatiá, Olavo César, fez um curso especializado para aprimorar o seu trabalho. ‘‘Antes de trabalhar fiz o curso de Cuidador de Idosos, em Cornélio Procópio, para assegurar a qualidade e perfeição no tratamento’’, disse.
César assegura que deve haver toda uma técnica para proporcionar um trabalho adequado com os idosos. ‘‘Temos que tomar cuidado e conduzir as atividades diárias e os diálogos nos momentos ideais para não se indispor com eles’’, finalizou.

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