Wenceslau Braz - Entre todas as cidades do Norte Velho do Paraná, um nome lhe soava familiar: Wenceslau. De origem eslava, Wenceslau I, que viveu entre 907 e 935, é venerado como santo pela Igreja Católica e é padroeiro da República Checa e da Eslováquia, países vizinhos da Polônia. No dia 10 de abril de 1966, padre Leon assumiu a paróquia São Sebastião, de Wenceslau Braz.
Os números impressionam. Nas quatro décadas, ele celebrou cerca de 60 mil missas, 30 mil batizados e 6 mil casamentos. Das 38 capelas existentes na cidade, 27 foram construídas por sua iniciativa. As comunhões distribuídas passam de 4 milhões. Por três vezes, recebeu o título de cidadão benemérito. Ele tinha tudo anotado meticulosamente em seus cadernos de estatísticas. Toda a experiência vivida na cidade foi dividida com os religiosos poloneses nos últimos anos de vida.
A morte de padre Leon colocou fim na esperança da comunidade católica de Wenceslau Braz de tê-lo de volta à cidade. Antes de partir, o sacerdote usou o microfone da rádio católica, única da cidade, para se despedir. Prometeu voltar, mas sabia que tudo dependeria das condições da saúde. Não retornou.
Nas ruas e nas redes sociais, os brazenses lamentaram a morte do padre. "Aquele anjo que sempre me chamava de senhorita Marcela partiu para junto de Deus. Ele estava longe, mas ainda tinha esperanças de vê-lo novamente, porém nem tudo é como queremos", comentou a professora Marcela Berehulka, lembrando das balas que o padre sempre oferecia "para adoçar a vida".
"Décadas de sacerdócio na nossa cidade e nunca houve um senão sequer em sua conduta, tanto religiosa quanto moral e social. Não tinha o carisma de alguns padres celebridades, mas tinha postura que deveria servir de exemplo para todos os sacerdotes, de todas as denominações cristãs", ressaltou o também professor Omar Mikhael Nakka. (C.F.)

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