Uma cidade com o nome no diminutivo cai mesmo
Jataizinho teve impulsos econômicos, começando por abastecer Londrina de tijolos e telhas, evoluindo de uma olaria em 1930 para 35 na década de 60, nesta época associando o ciclo algodoeiro, razão de uma cooperativa no município. Com 11.800 habitantes atualmente, Jataizinho apresenta crescimento demográfico de 8,83% desde 1970 e dos 46 municípios no Norte Pioneiro, figura entre os sete que acrescentaram população, os demais perderam.
Mas persiste um inconformismo. O motivo é a mais antiga povoação do Norte do Paraná não se ter desenvolvido em comparação às cidades surgidas quase um século depois e que a justificativa continue a ser a fama de cidade maleitosa, diziam que dava maleita até em pau, e o surgimento de Londrina.
Até hoje não sei como tiraram a comarca daqui, prejudicaram demais Jataizinho, diz Nerino de Freitas. O município ainda está doente e dificilmente haverá cura. Não temos líderes políticos. Jataizinho agora tem a fábrica de cerveja, Nerino lembra ter sido o vereador que muito trabalhou para atraí-la, mas acha pouco.
Vereador durante 16 anos, Nerino mantém a sua proposta que o legislativo rejeitou na década de 70: mudar o nome do município para Jataí de Alcântara, evocando a história e livrando-o do diminutivo que, no seu entender, contraria o espírito progressista, não estimula a uma nova fase. Uma cidade com o nome no diminutivo cai mesmo. Tudo no diminutivo, só diminui, resume.
A composição do nome desejado é referência ao aldeamento indígena São Pedro de Alcântara (1855-1895) e a sugestão já foi acolhida por um jovem candidato a prefeito, anima-se Nerino.
De palhaço a juiz de paz
Com 84 anos, marceneiro ativo, Nerino de Freitas relata sua origem numa família circense (os pais e seis irmãos), nos Circos Nerino, Bocutti e Garcia. Nascido em Cataguases, Minas Gerais, aos oito anos já era o melhor palhaço da trupe, depois trapezista, acrobata e ator. E veio a ser garçom em Londrina, entre 1949 e os primeiros anos 50, na Boate Colonial e no restaurante A Gruta Azul.
Desde 1955 em Jataizinho, Nerino recorda ter sido juiz de paz durante 12 anos; ao celebrar um dos primeiros casamentos, sua voz grave e a pronúncia correta impressionaram a noiva: Como o senhor fala bonito, p...q...p...
Casou-se com Dulce de Souza, de uma família que havia chegado em 1932 à cidade, e tiveram quatro filhos. A esposa morreu. Nerino mora em Ibiporã e mantém a marcenaria e o título eleitoral em Jataizinho. (W.S.)





