Ofícios, reuniões e negociações espremendo agendas lotadas não foram suficientes. Outras formas de reivindicar o que é de direito, inclusive o bloqueio da BR-153 entre Santo Antônio da Platina e Ibaiti por tempo determinado, também renderam uma espécie de pouco caso por parte daqueles que são responsáveis pela conservação desta importante rodovia.
Não somente cansados de pedir providências que não são atendidos, mas principalmente pel segurança das pessoas que trafegam pela estrada, na última segunda-feira os prefeitos da Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi) decidiram bloquear a BR-153, colocando nas proximidades de Ibaiti cerca de 200 toneladas de terra sob o asfalto.
E como se confere na posição dos organizadores dessa manifestação, o que se quer em troca é apenas o cumprimento de uma obrigação: a retomada das obras de manutenção da rodovia até a liberação da autorização de licitação do projeto de restauração do trecho, pelo Ministério dos Transportes.
Ninguém, enfim, estã reivindicando o impossível. Também não se pede uma obra faraônica, de custo exagerado e de infra-estrutura irreal. Os prefeitos do Norte Pioneiro querem apenas, provisoriamente, uma estrada em condições de tráfego que permite viagem com segurança para motoristas e passageiros. Pedem, a médio prazo, apenas a restauração do trecho, de forma que a região tenha uma estrada em boas condições e que a região, ao contrário do que agora ocorre, não seja motivo de ironias por oferecer aos visitantes uma rodovia que ao longo dos seus cerca de 60 quilômetros tem no lugar do asfalto enormes crateras.
O protesto iniciado na segunda-feira, com o bloqueio da BR-153, foi coordenado pelo prefeito de Japira, Wilson Ronaldo Rony de Oliveira Santos. Ele garante que a terra que impede a passagem de veículos pelo trecho só será retirada mediante ordem judicial. Cabe lembrar que, há 10 dias, o movimento havia alertado os responsáveis pela manutenção do trecho, no caso órgãos específicos do Ministério dos Transportes, que se no prazo não houvesse ao menos solução paliativa a rodovia seria bloqueada. Como nada foi feito, o alerta tornou-se prática.
O que se extrai dessa situação toda é que posições extremas, neste momento político que o País infelizmente atravessa, deixaram de ser ferramentas somente dos chamados extremistas. A BR-153 não tem asfalto e aqueles que por ela trafegam rotineiramente ainda têm a vantagem de conhecê-la. Assim, perdem minutos preciosos de seus tempos para o cumprimento de um trecho que em condições normais poderia ser atravessado, sem exagerar na velocidade, com tranquilidade e sobretudo segurança.
Mas motoristas e passageiros que não conhecem a rodovia podem ser vítimas, inclusive fatais, desse desmazelo. Alguns buracos abertos no asfalto são profundos. Alguém desavisado terá, com certeza, no mínimo que arcar com elevadas despesas para o conserto do veículo, uma vez que a possibilidade de um recurso jurídico para se ressarcir do prejuízo pode ter sentença demorada.
Por isso se reforça que, por mais radical que possa parecer, o movimento dos prefeitos do Norte Pioneiro, como se lia em faixa colocada no local onde foi feito o bloqueio, é um protesto pela vida. Que essa posição sirva como lição para aqueles que costuma dar as costas para as necessidades da população.

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