O ímpeto dos colonizadores portugueses em ocupar a terra do Brasil colônia, extrair suas riquezas naturais e escravizar os índios, foi a base do primeiro sistema político implantado em nossa terra, caracterizado pela violência e usurpação. A Igreja não ficou isenta desse pecado.
Por outro lado, a história mostra também o reverso da mesma realidade, com o testemunho de inúmeros missionários que, fundamentados na fé cristã, deram suas vidas em defesa da dignidade dos indígenas. Entre outros, ao lado dos padres Anchieta e Nóbrega, está o padre Antônio Vieira, jesuíta português, que foi expulso do Maranhão, proibido de pregar e condenado à prisão por defender os direitos dos índios.
De um modo geral, embora mudasse, os políticos e as conjunturas sociais, a política brasileira, referente aos povos indígenas, foi sempre integracionista do índio na sociedade dos brancos a tal ponto que, no final dos anos 60, relatórios oficiais previam não haver mais índio no Brasil a partir de 2000.
Os povos indígenas nunca aceitaram esta política e, a seu modo, cada povo reagiu em defesa de sua terra e de sua cultura.
A própria presença missionária da Igreja entre os índios também se transformou, iluminada pelo Concílio Vaticano II, (62 a 65), com a criação do Conselho Indigenista Missionário, CIMI, em 1972.
O CIMI tem por finalidade animar e orientar o ser Igreja hoje no meio indígena, missão evangelizadora que se concretiza, em primeiro lugar, em descobrir, compreender e respeitar a cultura desses povos e em se comprometer com suas lutas em busca de seus direitos.
Todo esse assunto está muito bem desenvolvido no Texto Base da Campanha da Fraternidade 2002. Estamos na quaresma, tempo de solidariedade.
Que a CF 2002 nos ajude a ter essa mesma postura do CIMI com relação aos nossos índios porque, só assim, a história dos povos indígenas no brasil será mais humana.
Dom Fernando José Penteado é bispo de Jacarezinho

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