Um ano depois, estação segue em escombros
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quarta-feira, 05 de fevereiro de 2014
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Joaquim Távora Nos primeiros dias de fevereiro do ano passado, Joaquim Távora pegava fogo. Além da agitação com a eleição suplementar que, em abril, elegeu o novo prefeito da cidade, a população sofreu um duro golpe: o incêndio da Estação Ferroviária. O prédio original de 1923, em madeira, tombado pelo Patrimônio Histórico do Paraná, em outubro de 2000, não resistiu às chamas, resultado de uma brincadeira de duas crianças, e foi reduzido à cinzas. Hoje, exatamente um ano depois, o abandono continua. Apenas o alicerce permanece sob escombros.
A estrutura fazia parte de um conjunto de seis estações ferroviárias do Norte Pioneiro incluídas em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério Público Federal (MPF) e a América Latina Logística (ALL), concessionária que administra a malha ferroviária da região. O TAC previa que a empresa fizesse o restauro dos prédios históricos, porém com o incêndio, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) cobra a reconstrução da estação de Joaquim Távora.
Segundo o arquiteto do Iphan, Moisés Stival, o órgão sugeriu ao MPF que a estação fosse reconstruída. Dois ofícios foram encaminhados, mas não houve nenhuma resposta. A reportagem da FOLHA entrou em contato ontem com a assessoria do procurador da República, Diogo Castor de Mattos, do Ministério Público Federal em Jacarezinho. A informação foi de que o MPF está oficiando a ALL esta semana, cobrando informações sobre a reconstrução da estação. A ALL terá dez dias para dar uma posição após receber o ofício.
A assessoria da ALL em Curitiba, no entanto, adiantou que aguarda o direcionamento do MPF para saber quais procedimentos tomar. Segundo a empresa, todas as outras cinco estações foram restauradas e, após a definição da estratégia a ser definida, as obras devem começar na Estação Ferroviária de Joaquim Távora. Stival explicou que a reconstrução, ainda que não traga a originalidade de volta, é de suma importância. "É claro que a reconstrução não trará o DNA do antigo prédio, mas com certeza é válida. A estação fazia parte da memória dos moradores e isso tem que ser transmitido para as futuras gerações", pontuou.
A secretária municipal de Educação de Joaquim Távora, Delzuíta Vieira de Souza, torce para que as obras comecem o quanto antes. "Nossa intenção é criar um museu naquele espaço. Isso com certeza traria um grande ganho cultural para nossos habitantes e principalmente para os nossos alunos, a nova geração", afirmou. Segundo ela, a falta do patrimônio histórico acarreta na quebra de referências para a cidade. "A modernização é um objetivo nosso, mas não podemos esquecer as raízes, onde tudo começou", destacou.
A Estação Ferroviária de Joaquim Távora foi construída em 1923 e inaugurada oficialmente em 27 de setembro de 1926, no então distrito de Afonso Camargo. Do prédio de 150 m2, símbolo do desenvolvimento do município nos primeiros anos de fundação, partiu muita madeira de vegetação nativa, que deu lugar aos cafezais nos anos seguintes. "É toda esta história que queremos resgatar para nossos netos", pontuou Delzuíta.


