UENP vai sediar vestibular indígena
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terça-feira, 28 de maio de 2013
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Bandeirantes - A Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) vai sediar o vestibular indígena deste ano no Paraná. O vestibular é realizado em um sistema de rodízio entre as universidades estaduais e esta é a primeira vez que a UENP sediará o concurso. Se for mantido o mesmo formato, a próxima vez será daqui a 10 anos.
O vestibular para os povos indígenas é diferente do vestibular tradicional em vários aspectos. Primeiro, porque os candidatos não participam das mesmas provas que os candidatos ao vestibular convencional e, segundo, porque o critério de cotas, seja por raça ou condição social, não faz parte do concurso. As provas levam em conta as diferenças culturais, inclusive com a realização de uma prova oral, onde o candidato é avaliado por uma banca.
Cada universidade estadual oferece apenas seis vagas, ou seja, 54 ao todo. Se somadas as 10 vagas ofertadas pela Universidade Federal do Paraná, o número total chega a 64. Os aprovados passam a estudar em vagas suplementares. O Paraná é pioneiro no Brasil na inclusão de indígenas em vagas suplementares. Em outros estados, eles participam dos concursos no sistema de cotas.
O professor Márcio Akio Ohira, do campus de Bandeirantes, representa a UENP na Comissão Estadual Universidade para os Índios. ''A universidade ganha muito com essas ações; é importante notar que todo esse movimento em preparação para o vestibular provoca profundas mudanças e conscientizações que são necessárias nas universidades'', afirma.
A forma de inscrição é outra diferença do vestibular indígena. Ao invés dos candidatos fazerem suas inscrições pela internet, que é o mais comum atualmente, são os representantes das universidades que visitam as aldeias em busca de interessados.
As inscrições serão realizadas no mês de setembro e as provas vão acontecer no mês de dezembro. A estimativa é que mais de 300 candidatos façam a inscrição em todo Estado. Assim, a concorrência deve ficar em torno de cinco candidatos por vaga.
Ohira diz que os indígenas preferem se agrupar em poucos cursos para não se sentirem ''isolados''. A UENP tem cerca de 20 alunos de origem indígena, a maioria no campus de Cornélio Procópio.


