UEL será polo de reciclagem de profissionais
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Vítor Ogawa <br> <br> Reportagem local 
Londrina - Nem todos os profissionais que tratam de pessoas dependentes químicas possuem capacidade de deslocamento para reciclar seus conhecimentos e nesse contexto o ensino à distância pode resolver o problema. O professor de psiquiatria da Universidade Estadual de Londrina, Heber Vargas, revela que o Governo Federal pretende estabelecer polos de reciclagem profissional para esse público e um deles será a Universidade Estadual de Londrina, que dará assessoria para a viabilização do projeto. ''Trata-se de um programa vinculado ao Ministério da Justiça e terá como base Londrina e está em vias de implementação. O modelo será baseado na educação à distância'', revela.
Embora o fluxo não esteja definido, Vargas revela que a preocupação dos governos federal e estadual é criar um programa mais extenso. ''Existe também uma proposta para que se crie no Hospital Universitário uma ala que cuide de dependentes químicos, mas é preciso vontade política e correr atrás das verbas para viabilizar esse serviço''. A comorbidade - as doenças associadas à ingestão de drogas como a hepatite ou a cirrose -, segundo ele, impactam diretamente com o restante do Hospital Universitário.
A implantação de um polo de reciclagem profissional faz parte do plano de combate ao tráfico de drogas lançado pela presidente Dilma Roussef neste ano que prevê investimentos na ordem de R$ 4 milhões até 2014, a criação de 2.462 leitos exclusivos para usuários de drogas e que possui três eixos: o cuidado, a prevenção e a autoridade. No eixo do cuidado estão previstos a ampliação de oferta de tratamento aos usuários de drogas, a qualificação dos profissionais, a criação de uma rede de atendimento diferenciada e a criação de enfermarias especializadas nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS). No eixo da prevenção o foco será nas escolas, nas comunidades e na comunicação com a população. Serão capacitados 210 mil educadores e 3,3 mil policiais militares que atuarão na prevenção em 42 mil escolas públicas. Líderes comunitários também serão capacitados até 2014 e campanhas específicas informar, orientar e prevenir a população sobre o uso do crack e outras drogas.
O psiquiatra do Comunidade de Assistência aos Dependentes de Drogas (Cadd), Jorge Yasbick, eleogia o projeto do Governo Federal. ''Tudo o que se refere à melhoria da assistência ao usuário é bom e as diretrizes estão no caminho certo, mas às vezes não se consegue viabilizar um plano desses por falta de recursos, de profissionais ou de materiais, mas temos que persistir'', ressalta.


