Bandeirantes – Há 41 anos, a iniciativa de um ex-jogador do time União Bandeirantes – José Machado (falecido em 2007) - até hoje mantém na ativa um grupo de jogadores amadores que se reúne três vezes por semana, das 6h às 7h, para jogar futebol antes de darem início à rotina diária de trabalho. A "Turma do Machadão" – composta atualmente por 20 pessoas - é bastante heterogênea, reunindo integrantes de diversas profissões e com idades que variam de 18 a 79 anos. E faça chuva ou faça sol, tendo no mínimo quatro pessoas, o jogo está garantido. As despesas com bolas e coletes são partilhadas entre os participantes. A atividade ainda conta com apoio da Prefeitura Municipal de Bandeirantes e a Secretaria Municipal de Esportes.
"A gente sempre faz uma caminhada antes para aquecer e é nessa hora que colocamos a conversa em dia. É uma atividade física muito boa e um jeito também de arejar a mente e ter mais disposição para o trabalho. É uma higiene mental", conta o funcionário público aposentado Belmiro Bachett, de 59 anos, que há 25 participa do grupo e foi apelidado pelo próprio fundador de "Romarinho", quando fez oito gols em único jogo. "Teve uma época em que trabalhava em Cornélio Procópio e mal tinha tempo de chegar correndo em casa e tomar um banho rápido para não chegar atrasado no trabalho, que tinha que abrir às dez para as oito da manhã, mas sempre procurei não faltar ao futebol, pois sentia nitidamente a diferença quando não jogava", comenta Bachett.
O grupo se reúne desde 1979 no Ginásio Esportivo 14 de Novembro, mais conhecido como "Chinelão", e nem a interdição durante quase um ano do local para reformas, no ano passado, impediu que o grupo mantivesse a fidelidade ao futebol. "Chegamos a jogar em três ginásios escolares até a conclusão da reforma. O que não dava era para ficar parado", conta Bachett, lembrando que o grupo está sempre aberto para novos integrantes. "É uma atividade muito boa pelas amizades que fazemos. Faz bem para o corpo e para a mente", garante.
Aos 79 anos, o comerciante Nobor Oda é o mais antigo integrante do grupo, que frequenta há 39 anos. "Comecei por necessidade, pois estava ‘gordinho’, acima do meu peso normal, e não parei mais. Sou da época em que chegamos a jogar no campo do União Bandeirantes e em fazendas até a inauguração do Ginásio ‘Chinelão’, em 1979, onde o Machado chegou a ter uma academia de condicionamento físico", lembra. "Nasci na Fazenda Nomura, aqui em Bandeirantes, e sempre gostei de jogar futebol. Nunca me machuquei e o pessoal costuma brincar que eu sou ‘canela de vidro’. Nunca entrei para competir e sim para brincar e descontrair. Nas férias, sinto falta do bem-estar que o futebol proporciona", destaca Oda, que esbanja vitalidade e ainda hoje está à frente da Autopeças e Oficina Irmãos Oda Ltda, em Bandeirantes.
O empresário Luiz Yoneo Ueda, de 51, também é um dos mais antigos do grupo. Há quase 28 anos ele integra a turma, sendo que a sua maior motivação foi ter o futebol como opção de prática esportiva. "É uma atividade saudável, melhora a disposição física do dia a dia, além do agradável vínculo de amizade que criamos. Pretendo continuar no grupo até quando Deus me der saúde e disposição. Somos gratos pela iniciativa do Machado em prol da saúde e da necessidade da prática das atividades físicas e esportivas", ressalta.

‘GINÁSIO CHINELÃO’
Construído na primeira gestão do prefeito José Fernandes da Silva, de 1977 a 1982, o Ginásio Esportivo 14 de Novembro (em referência ao aniversário do município de Bandeirantes), acabou ganhando o apelido de "Chinelão" como uma espécie de homenagem ao então prefeito. "Na campanha eleitoral, os meus adversários costumavam me chamar de ‘pé de chinelo’ e, quando o ginásio ficou pronto, os meus simpatizantes acabaram por colocar esse apelido no ginásio como uma forma carinhosa de se referir a mim. Na época, era moda usar os aumentativos, e o apelido felizmente acabou ‘pegando’", diverte-se Silva, de 78, que atualmente é vereador, e chegou a ser prefeito de Bandeirantes em mais duas gestões (1989/1992 e 2005/2008). "Naquela época, o ginásio chamou muita a atenção, porque na nossa região os ginásios esportivos mais próximos eram apenas em Cornélio Procópio e Ponta Grossa", pontua. Nascido em Minas Gerais, Silva chegou em Bandeirantes em 1962 após aprovação em concurso do Banco do Brasil; ele também é bacharel em Direito.

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