Trigo terá perda média de 50%
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quarta-feira, 04 de setembro de 2002
Benedito Teles<br> Equipe Folha 
Cornélio Procópio - De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), núcleos de Jacarezinho e Cornélio Procópio, serão colhidas na região cerca de 320 mil toneladas de trigo. Na região de Cornélio do Procópio a perda estimada devido à estiagem no período da semeadura e as temperaturas elevadas durante todo o inverno devem provocar uma perda, em médio, de 40% em relação á previsão de safra inicial.
A safra começou no último dia 24 e deve ser concluída entre o final de setembro e início de outubro. No período do plantio os preços obtidos no mercado animaram os triticultores. Na região de Cornélio Procópio a área de cultivo aumentou cerca de 60% e em Jacarezinho 30% em relação ao ano passado. Mas a perda na colheita preocupa e poderá comprometer a capacidade de pagamento dos produtores. A previsão inicial era a colheita de 400 mil toneladas na região de Cornélio, mas atualmente a expectativa é de 275 mil toneladas.
O triticultor José Roque Odorize na região de Cornélio Procópio cultivou 150 alqueires de trigo, mas disse que em sua propriedade a perda deve ser superior a 50%. Ele explica que o trigo colhido não será suficiente nem para realizar o pagamento dos custos de produção. ''Vou entrar o próximo ano com dívida'', lamenta. Ele disse que os produtores, além da frustração da perda da safra, também são prejudicados na venda dos grãos por meio de contratos antecipados.
Odorize calcula que os contratos antecipados junto aos moinhos estão com uma defasagem de 50% em relação ao preço atual praticado no mercado. Ele estima que 80% dos produtores da região realizaram este contrato. O produtor alega que houve uma tentativa de negociação junto ás cooperativas e aos moinhos, mas que os moinhos negaram qualquer revisão nos valores. Os contratos, segundo ele, foram realizados por intermédio da cooperativa junto ao moinho. ''Perdemos duas vezes e não teremos como investir na próxima safra'', disse.
Em Cornélio Procópio a estiagem que ocorreu entre maio e junho comprometeu a quantidade de grãos colhidos. Segundo os técnicos do Deral o período de seca atingiu o desenvolvimento das plantas e reduziu a quantidade de grãos por planta. Na região os principais produtores são os municípios de Santa Mariana, Sertaneja, Cornélio Procópio, Rancho Alegre e Assai. As avaliações preliminares do Deral indicam que produtividade está estimada entre 60 a 70 sacas de 60 quilos por alqueire.
O engenheiro agrônomo da Cooperativa Integrada, região de Cornélio, César Favaro, disse que o período de seca no período de semeadura e a manutenção de temperaturas elevadas durante todo o inverno diminuíram a quantidade de plantas por área e impediram a recuperação da lavoura no período de desenvolvimento das plantas. Ele também estima uma perda, média, de 50% e avalia que, apesar da boa qualidade dos grãos, a ''quebra'' na safra vai prejudicar a capacidade de pagamento do produtor. Favaro alerta que o Vale do Paranapanema foi a região mais prejudicada. ''Temos um produto de alta qualidade com uma produtividade baixa'', avalia.
Na região a colheita começou em 23 de agosto, mas foi interrompida pela chuva. A área plantada aumentou cerca de 60% em relação ao ano passado. Na safra de 2000/2001 a área correspondia a 106 mil hectares. Em 2001/2002 a área aumentou para 172 mil hectares. Os técnicos do Deral acreditam que o período de colheita este ano será reduzido devido ás altas temperaturas de agosto. A expectativa, segundo os técnicos do Deral, é que a colheita seja encerrada antes do dia 26 por causa das altas temperaturas de agosto.


