Na região povoada regularmente a partir de 1848, deve-se a origem de Pinhalão aos mineiros que chegaram em 1887, cujas gerações alcançaram a criação do município, em 1951. Retrospectiva que a cidadã pinhalonense Dagmara Pereira dos Santos pretende ver acrescentada na história que se difunde, restrita à urbanização associada à estrada de ferro, que chegou em 1923.
Anteriormente repleta de pinheirais alternados com perobais e outras espécies, a gleba em que se localiza a cidade já se chamava Pinhalão, entre Jaboti e Tomazina.''É o triângulo mineiro do Norte Pioneiro'', segundo Dagmara, levando em conta a procedência dos povoadores, o surgimento das três pequenas cidades e a configuração do espaço entre elas, num raio de 20 quilômetros. ''Isso era comum em Minas Gerais e Pinhalão é uma típica pequena cidade mineira para servir a zona rural.''
Com 220,6 km, o município tem 6.215 habitantes, 63% na cidade, que não precisa crescer muito, ante o predomínio das pequenas propriedades rurais. É a visão da ''agricultora orgânica'' e ecologista Dagmara Pereira dos Santos, descendente de pioneiros e por isso herdeira de uma casa construída parcialmente há 115 anos, na zona rural.
Não fosse seu apego a Pinhalão, poderia ter ido morar na Suécia, país do marido, Bendt Lundgren. Já não vivem juntos, embora mantenham o casamento. ''Minhas irmãs conhecem o mundo, eu fiquei.''
Sua formação em Artes Cênicas, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Curitiba, denota a influência do pai (em memória), José Pereira dos Santos, o Zé Pereira, que foi incentivador de um grupo e cogitou transformar a estação ferroviária em teatro, ao cessar o tráfego de trens. ''Esse negócio de cultura sempre foi muito importante para nós'', resume. Lembra que Pinhalão teve banda de música e fanfarra, sem estímulos para uma atividade cultural ''os jovens ficam sem nada, partem para o crack e o álcool''.
Dagmara conta que desistiu do curso de Direito, na PUC, que começara a frequentar paralelamente ao de Artes, porque os dois eram à noite. ''Queria ser advogada com domínio cênico. Ia arrebentar.''
Na condição de ecologista, declara-se consciente de ser ''maldita'' pelos que discordam dos objetivos, incluindo a proteção do Ribeirão Grande (ou Rio Pinhalão), já no âmbito do Ministério Público, tendo ela inscrito uma propriedade de seis alqueires para ser convertida em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). E candidatou-se, em 2008, a vice de Izaías Nogueira da Cruz para prefeito, chapa do PT, que perdeu por pequena diferença.
A participação da família na política eleitoral não é recente, desde que o pai, Zé Pereira, influiu para a emancipação municipal. E na condição de vereador mais votado da primeira legislatura (1952), foi designado prefeito em 5 de junho de 1956, quando morreu o titular, Leonardo Francisco Nogueira. O presidente da Câmara, Álvaro Alfieri, tendo renunciado à indicação para assumir o Executivo, ''convidou o senhor José Pereira dos Santos a tomar acento à mesa e, em ato contínuo, foi-lhe confiada a posse de Prefeito Municipal'', conforme o artigo 19º do regimento interno.

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