A Comunidade Terapêutica Padre Pio faz apenas tratamento voluntário, ou seja, atende somente as pessoas que querem largar o vício e mudar de vida. A coordenadora da casa e técnica em dependência química, Léia Donato, diz que este é requisito essencial para o sucesso da iniciativa. ''A recuperação não é uma coisa fácil e se não houver o comprometimento da pessoa, o trabalho não dá resultado'', afirma.

A propriedade rural onde a comunidade funciona é totalmente aberta. Mesmo com a opção de ''liberdade'', os internos permanecem no local o tempo todo, com restrições para sair, ver TV e receber visitas de familiares, o que só é permitido uma vez por mês.

Todos têm ocupação o dia inteiro, a começar pelas orações e execução das tarefas domésticas, num sistema de rodízio. São os próprios internos que mantém o local limpo e preparam suas refeições. Eles também participam de atividades recreativas, como futebol e tênis de mesa, por exemplo.

Léia diz que os internos seguem 12 passos para não voltar ao vício. Entre os básicos estão a necessidade de se aterem somente com o dia de hoje, deixando de lado o passado e as preocupações com o futuro, e serem honestas com as pessoas, em especial consigo mesmas. A parte espiritual também é considerada relevante. ''Deus é a base do tratamento'', diz Léia.

Exemplo
A coordenadora da casa tem uma história de vida que chama a atenção. Léia decidiu trabalhar com a recuperação de drogados depois que o marido dela foi assassinado a tiros por um adolescente sob o efeito de entorpecentes. O crime aconteceu há 10 anos em Cambará, onde a família morava.

Ela já trabalhou em outras instituições do gênero e diz que o consumo de drogas se tornou uma epidemia. Um dos casos que mais chamou sua atenção foi a de uma criança de oito anos que era dependente química.

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