Uma ideia comprometida com o meio ambiente tomou conta do município de Santa Mariana e se disseminou entre algumas cidades do interior do Paraná.
Com um simples gesto de coletar embalagens plásticas, a Escola de Educação Especial Recanto da Alegria, mantida pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Santa Mariana está provando que preservar o meio ambiente pode ser um negócio lucrativo.
Com o projeto ''Somos o planeta, dê uma mãozinha para salvá-lo'', coordenado pela professora Vera Lúcia Martins desde agosto de 2010, os mais de 12 mil habitantes do município aprenderam a importância de reciclar e assim, colaborar com a escola.
A cada embalagem encaminhada via correio à TerraCycle do Brasil, empresa instalada em São Paulo que recicla e reutiliza os materiais, a escola recebe R$ 0,02. De pacote em pacote, eles já conseguiram arrecadar quase R$ 7 mil, em pouco mais de um ano de projeto.
''O dinheiro já tem o destino correto. Conseguimos construir um pequeno depósito para as embalagens, adquirimos material pedagógico e estamos planejando um passeio de todos os 130 alunos para Londrina'', conta a professora Vera Lúcia, que espera muito mais do projeto. ''Queremos que essa ideia se torne uma cooperativa para que possamos reverter o lucro para as famílias dos nossos alunos que necessitam de recursos básicos em suas casas, como saneamento'', completa.
No ano passado, a FOLHA esteve na escola de Santa Mariana acompanhando o início do programa. Além dos alunos, toda a comunidade da pequena cidade estava se mobilizando para ajudar. No período, foram contabilizadas 18 mil embalagens de salgadinhos e refrescos em pó. Hoje, já foram encaminhadas para a TerraCycle do Brasil, mais de 400 mil. ''Também ampliamos os tipos de produtos. Agora, estamos recolhendo também potes de margarina, chocolate, congelados, bolachas, pó de café, embalagem de papel sulfite e de protetor solar'', comenta.
A arrecadação é diária, mas o encaminhamento é semanal e o pagamento, semestral. Para dar conta de todo o trabalho que envolve o projeto, muitas mães e mulheres da comunidade, ajudam os 50 alunos do curso profissionalizante da escola, de forma voluntária.
A cada dois ou três dias, elas vão para a escola fazer a triagem dos produtos. ''Eu não tenho ninguém da família que estuda aqui, mas fiquei sabendo do projeto pela rádio comunitária. Achei tão interessante que resolvi ajudar. Junto com outras mulheres, eu me distraio, faço amizades e ainda ajudo a limpar a cidade e a cuidar do meio ambiente'', conta.
Para Isabel Tereza dos Santos, mãe do aluno Milton, do curso profissionalizante, estar no ambiente escolar é sempre importante. ''Procuro participar das atividades na escola e não pensei duas vezes em ajudar, pois acredito no projeto'', diz.
A solidariedade também se manteve entre os comerciantes, como Paulo César Dozzo, proprietário da sorveteria Gula Gula. ''Comecei a guardar as embalagens que iam para o lixo, porque eu acho que isso não é mais do que nossa obrigação. E além de cuidarmos da nossa cidade e do meio ambiente, estamos ajudando uma entidade que desenvolve um trabalho no qual acreditamos'', comenta.

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