Londrina - "Por onde quer que eu ande, qualquer chão que eu pisar, a saudade da infância, do meu tempo de criança, para sempre vou levar". Os versos da canção Sangue Caipira expõem a forte ligação entre Aldair Teodoro da Silva e Santo Antônio da Platina. O cantor sertanejo que ficou famoso como Teodoro, não carrega a cidade apenas no RG. As noites de luar ao som do ponteio das violas do avô Joaquim e do pai Lázaro habitam as memórias do menino Dair, como era chamado no Ribeirão Bonito.
Hoje, aos 71 anos, o cantor sertanejo mora em Londrina, onde mantém o escritório da dupla Teodoro e Sampaio. Venceu na vida, mas faz questão de não se esquecer dos tempos difíceis nos primeiros 12 anos de vida, período em que viveu em Santo Antônio da Platina. "A vida era dura, aquelas terras eram um sertão só. A gente morava junto com avós e tios em quatro ranchos de chão batido. Fazia um frio danado", conta.
A música era o único consolo da família. "Ficava ao lado do meu pai escutando Tonico e Tinoco na Difusora Platinense em um radinho velho. A música tornava as coisas mais fáceis. Não existe coisa mais bonita do que cantar com o pai desde criança", exalta. Persistente, o garoto não parou de amolar o pai até ganhar um cavaquinho de presente, instrumento em que aprendeu as primeiras notas. Com o tempo, passou para o violão.
O pai de Teodoro era fiscal na Fazenda Palmira, de propriedade de Odilon Claro, "pai do Pedro", diz Teodoro, referindo-se ao atual prefeito Pedro Claro de Oliveira Neto. "Era um calabrês brabo, mas gente boa". Nos primeiros anos na fazenda dos pioneiros, havia briga por mistura na casa dos Teodoro da Silva. "A gente comia abóbora e ovo frito quase todo dia. Quando tinha uma caça na mesa, a briga entre os irmãos era certa".
As dificuldades não são motivo de vergonha para Teodoro. Pelo contrário, as usa como exemplo para os mais novos. "Não é para contar vantagem, mas é um exemplo de superação. Eu caminhava sete quilômetros de ida e outros sete de volta para ir à escola. Hoje a moçada ainda reclama", compara. Lázaro morreu cedo sem ver o sucesso do filho. "Com muita luta, consegui ser o violeiro famoso que meu pai tanto quis ser. Ele deve estar feliz", avalia.
Sobre a nova Santo Antônio da Platina – que, assim como Teodoro, passou por várias transformações ao longo do tempo - ele diz gostar do que vê. "Tenho alguns parentes lá e vez ou outra dou uma passada. A cidade cresceu, está bonita, bem diferente do poeirão que era. Naquele tempo, só havia calçamento na Rui Barbosa, no centrão". Ele ressalta o carinho do público da cidade. "Em todas as vezes que nos apresentamos na Efapi, os shows estavam lotados. O paranaense se identifica com nossa música". Em uma de suas visitas, em 2006, foi agraciado com o Título de Cidadão Honorário pela Câmara de Vereadores.
Representante do triunfo do povo sertanejo, como define a orelha de sua biografia, assinada pelos jornalistas Apollo Theodoro e Domingos Pellegrini, Teodoro parabeniza a terra natal e os conterrâneos. "O centenário é uma marca muito importante, motivo de orgulho. Que nesta nova fase, Santo Antônio possa crescer ainda mais com progresso e qualidade de vida". (C.F.)

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