Tecnologia de acessibilidade para surdos
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quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Vinícius Fonseca<br> Reportagem Local 
Bandeirantes Uma ferramenta que visa facilitar a comunicação entre surdos e ouvintes promete mudar a vida de quem apresenta déficit auditivo. O projeto Conferência Inclusiva (InCof) foi desenvolvido a partir do estudo de doutorado da professora do curso de Ciência da Computação da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), campus Luiz Meneghel, Daniela de Freitas Guilhermino Trindade, sob a orientação da professora-doutora da UFPR, Laura Sanchez Garcia.
Basicamente, o programa permite que até sete pessoas participem de uma mesma conversa via internet. Ao falar, o usuário aciona um botão que automaticamente ativa um intérprete, que realiza a tradução simultânea de cada fala. "É parecido com a televisão quando aparece o quadrinho com o intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais)", detalha Daniela.
A professora explica que sempre se interessou por projetos que visam minimizar as barreiras de comunicação, promover o acesso ao conhecimento e a inclusão social, e que, há quatro anos, começou a fazer parte de um grupo de estudos que visa desenvolver sistemas para ampliar a acessibilidade das pessoas surdas formadas pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). "Fiz meu doutorado com esse grupo e desenvolvi um sistema para facilitar o acesso desse público. A partir do modelo teórico, criei uma ferramenta de videoconferência que permite a interação entre surdos e ouvintes", diz.
A professora comenta que para facilitar a comunicação entre os ouvintes e os não ouvintes, o programa é controlado para que apenas um usuário possa se manifestar por vez. A medida foi adotada após ser constatado por meio de testes que uma conversação simultânea acaba criando uma série de ruídos, já que são utilizadas tanto a língua falada quanto as técnicas adotadas pela Libras.
A ferramenta foi utilizada e avaliada por um grupo composto por surdos (falantes da Língua Brasileira de Sinais - Libras), ouvintes e um intérprete (ouvinte).
Após a participação na videoconferência, o participante surdo Jonathan Alvez, de 18 anos, de Santa Mariana, ressaltou que a ferramenta terá grande valor para a comunidade surda. "Estou acostumado a conversar com surdos pelo Skype, mas com a pessoa ouvinte não dá para conversar. Por isso o InConf será muito importante, pois, numa outra perspectiva de interação, ela traz a presença do intérprete para mediar a comunicação entre surdos e ouvintes".
O mediador da conferência, professor Luiz Renato, acentua a importância da ferramenta e seu caráter inovador. "Este trabalho deverá beneficiar não só os nossos alunos e professores surdos da Uenp, como também outros surdos do Brasil".
A professora pondera que a InCof ainda é um protótipo e ainda terá que passar por melhorias, porém ela aponta que o desenvolvimento desse tipo de ferramenta é um grande avanço nas áreas de acessibilidade e inclusão. Estima-se que cerca de 5,7 milhões de brasileiros apresentam alguma deficiência auditiva ou surdez. "O projeto pode ser aplicado em todo o País e ainda ser usado também em outros países, basta que façamos os ajustes de idioma e linguagem. Um grupo da França já manifestou interesse nele", detalha.
Alguns docentes da Uenp também estudam a possibilidade de formar um grupo semelhante ao existente na UFPR para desenvolver projetos voltados à acessibilidade. Daniela adianta que, com base na teoria que defendeu no doutorado, outras ferramentas, além do InCof, poderão ser desenvolvidas para os surdos.


