Táxi coletivo custa só três reais
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quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Eli Araujo <br> Reportagem local 
À primeira vista, pode parecer um pouco estranho, mas a cidade de Bandeirantes criou um sistema híbrido de transporte que mistura o táxi com transporte coletivo o que, na prática, poderia ser chamado de ''táxi coletivo''. O nome correto, entretanto, é táxi popular, um modelo que parece ter sido bem assimilado pela população.
A central de táxi popular tem 22 veículos à disposição, a maior parte bem conservada. Quando recebe uma chamada, a central encaminha o carro mais próximo para atender o cliente. A diferença do sistema é que este passageiro não é transportado com ''exclusividade''. Ele tanto pode embarcar em um táxi que já tenha um ou mais passageiros como ter a companhia de outros passageiros durante o percurso.
A principal vantagem está no preço: uma corrida no perímetro urbano custa R$ 3,00 e se for um pouco mais longe, R$ 5,00. No táxi convencional, o usuário pagaria entre R$ 10,00 a R$ 15,00 pelo mesmo percurso.
O valor foi fixado pelo empresário Alex Santos, que é taxista e proprietário da central de táxi popular. Ele calculou a média de uma corrida de um táxi convencional e dividiu por quatro passageiros.
Os clientes aprovam o modelo e acham que o preço mais em conta compensa a falta de exclusividade. É o caso das trabalhadoras rurais Josiane Aparecida Gomes e Janaina Fernandes Aquino, que moram em um bairro da periferia. Elas usam o táxi ao menos uma vez por semana para irem ao centro da cidade. Antes, elas usavam o serviço de mototáxi, o que tinha alguns incovenientes, principalmente em dias de chuva. ''O táxi é mais confortável, a gente não precisa usar capacetes e não fica despenteada'', afirma Josiane, vaidosa.
A dona de casa Alzira Dias Garcia tem 82 anos e usa o táxi popular quase todos os dias e algumas vezes utiliza mais de uma vez por dia. Ela vai à farmácia, ao banco, ao INSS e leva o marido ao médico, entre outros afazeres. ''O serviço é seguro, o pessoal é atencioso e tem a maior paciência com a gente'', afirma.
Antes, ela fazia o percurso a pé toda vez que precisava ir ao centro, o que era muito demorado, cansativo e desgastante por causa do calor. Quando havia muita necessidade, ela pagava um táxi conveniconal, que custava R$ 10,00 para ir e R$ 10,00 para voltar.
Concorrência
A criação do táxi popular não foi muito bem aceita no começo por outros taxistas, em especial por aqueles que têm ponto na rodoviária. Hoje, o relacionamento está bem melhor. O taxista Jaci Farias da Silva, que trabalha no local há 8 anos, diz que o serviço de táxi popular, que define como ''lotação'', não interfere no trabalho deles porque há diferenças bem distintas.
Segundo ele, os táxis da rodoviária trabalham 24 horas por dia e atendem as pessoas que procedem de várias cidades do Paraná e estado de São Paulo e segue para outras cidades próximas, enquanto o táxi popular presta serviço a clientela que mora na cidade.
Silva diz que a prestação do serviço com excluvidade é um diferencial importante porque o cliente, quando precisa, é atendido com urgência, sem a companhia de outros passageiros, não correndo o risco de perder o horário de embarque. ''A pessoa que usa o táxi popular não pode ter pressa; ele é mais barato, mas não é um táxi que você monta nele e vai embora'', compara o taxista.
Em função do tamanho da cidade, que tem 32 mil habitantes, os táxis convencionais em Bandeirantes não usam taxímetro e o valor da corrida é fixado de acordo com a distância aproximada. O valor mínimo de uma corrida, saindo da rodoviária, por exemplo é de R$ 10,00. A cidade também não conta com serviço de transporte coletivo.


