Sociedade se preocupa com ano eleitoral
Cornélio Procópio - O medo de que a decisão sobre a implantação do curso de Medicina seja adiada pelo fato de 2014 ser um ano eleitoral surgiu entre representantes de uma comissão organizada para estudar o assunto em Cornélio Procópio.
O diretor do campus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) na cidade, Devanil Antônio Francisco, teme que a decisão seja adiada por tempo indeterminado. "Quem vai ter coragem de dar preferência a um município e deixar os outros dois sem nada?", pergunta. Para ele, a disputa entre as três cidades está tomando uma proporção sem sentido e poderia ser resolvida com uma "solução imediata".
O presidente da Sociedade Rural de Cornélio Procópio e Região, João Francisco Vilela de Carvalho, diz que a decisão não pode mais ser protelada. Ele teme que o fato de a senadora Gleisi Hoffmann ter manifestado apoio aos três municípios criou uma "situação complicada", o que pode refletir no resultado das eleições, pelo menos nas cidades diretamente envolvidas.
O psicólogo Cleber Muller, que faz parte da comissão formada em Cornélio Procópio, aponta como saída a união entre as três cidades envolvidas em torno de um objetivo comum, porque a disputa, acirrada como está, "é prejudicial para todos".
Sem impedimento
O fato de 2014 ser um ano eleitoral não deve interferir, necessariamente, em uma decisão sobre o assunto sob o ponto de vista legal. A análise é do professor de direito constitucional Fernando de Brito Alves, da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), em Jacarezinho. "Não existe qualquer impedimento explícito à criação de cursos superiores em ano eleitoral, seja na lei, seja na Constituição", afirma.
Segundo Alves, "as condutas vedadas estão relacionadas ao desequilíbrio de meios no processo eleitoral e basicamente relacionados ao uso de bens, materiais, serviços públicos, propaganda e servidores a serviço de uma candidatura".(E.A.)





