Londrina - Todo procedimento médico deve ser analisado com cautela, principalmente quando relacionado ao uso de células-tronco ou - mais polêmico ainda -, com células embrionárias. O uso desse material na medicina ainda é muito recente e, embora seja promissor o potencial do tratamento com esse tipo de material genético, ainda há muitas dúvidas sobre as maneiras de usar e os efeitos colaterais de algo que está em pleno andamento, ainda sem conclusões muito definitivas. A cura das mais diversas doenças continua sendo a principal meta no meio médico clássico ou alternativo, mas pelo jeito ainda há um longo caminho de pesquisas a percorrer.
Procurado pela reportagem, o neurologista Lucio Baena de Melo, professor auxiliar da Universidade Estadual de Londrina (UEL), ressalta que todo o cuidado é necessário quando alguém se propõe a se submeter a algum tratamento considerado avançado com células-tronco. "No Brasil há permissão para pesquisa e uso de células-tronco. A polêmica está em torno do uso das células-tronco embrionárias", afirma, sucintamente o médico.
Ele também destaca que atualmente não saberia dizer o estado atual desse tipo de pesquisas no Brasil, mas é categórico ao citar que há grandes centros universitários ligados à pesquisa na área, embora reconheça não ter conhecimento suficiente para comparar o trabalho nacional com o de outros países.
"Muitos estudos estão em andamento. Pessoalmente, tenho algumas ressalvas. Entendemos que muitos pacientes procuram diversas terapias na esperança de melhorar suas doenças. No entanto, muitas dessas terapias são experimentais e o resultado é incerto, além dos riscos que existem", ressalta.
Ele ainda questiona: "Caso o tratamento fosse realmente eficiente e confiável, por que não seria realizado na Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, em diversos estados brasileiros, ou na Associação de Assistência a Criança Deficiente (AACD), em São Paulo?". E acrescenta: "Acredito que o paciente em questão seria bem atendido num dos serviços acima e teria todas as suas dúvidas sanadas nesses serviços de excelência", conclui.
O doutor Melo ainda sugere a consulta ao site oficial da Sociedade Internacional da Medula Espinhal (Iscos), com sede no Reino Unido, que chama a atenção no seu texto de apresentação para uma série de tratamentos experimentais que estão ocorrendo ao redor do mundo e atesta que os validados pela instituição normalmente não costumam ser cobrados dos pacientes.
Os interessados devem consultar o site pelo seguinte endereço: http://www.iscos.org.uk/statement-on-stem-cell-therapy. Há também na mesma página um documento (disponível em várias línguas) sobre "Tratamentos Experimentais para Lesão da Medula Espinhal: O que você deveria saber" (em inglês, ‘Experimental Treatments for Spinal Cord Injury: What you should know’). O material faz parte da "Campanha Internacional para a Cura de Paralisias" (International Campaign for Cures of Paralysis). Mais informações pelo site www.campaignforcure.org.

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