Irineu Renato Moreno conta que imaginava ganhar muito dinheiro com o cinema em 1982, mas surpreendeu-se com a inviabilidade. Então, pelo menos 73% das famílias brasileiras em áreas urbanas já tinham televisão. "O Imaginário do brasileiro não é manipulado pela TV, ele é constituído por ela", concluiu à época o francês Daniel Cohn Bendit após viver cinco meses no país. "Por todos os lados onde andamos no Brasil estava a televisão, mesmo no meio da maior miséria."
E nos primeiros anos 80, em consequência de dois novos choques do petróleo (alta do preço no mercado internacional imposta pelos países produtores), o Brasil entrou em recessão mais grave que a depressão dos anos 30, segundo a análise de João Paulo dos Reis Velloso.
Recessão e brasileiros estacionados na cultura televisual gratuita fizeram os cinemas no país diminuírem de 3,5 mil salas em 1975 para mil em 1997. Veio a reação. No país, atualmente com 197 milhões de habitantes, estima-se entre 2,3 mil e 2,5 mil salas, altamente concentradas: dos 5.565 municípios brasileiros só 9% (cerca de 500) possuem cinemas. E 60% dos quais em shopping centers. Nos Estados Unidos há 37 mil salas e o país tem 313 milhões de habitantes.
Impossível não despertar para a tecnologia em permanente evolução, passando pela terceira dimensão e saltando, a projeção, de 24 quadros por segundo para 48, o que proporciona nitidez mais próxima do que o olho humano efetivamente vê - semelhante à vida.
Pelos números no site FilmeB, os cinemas no Brasil tiveram 147 milhões de espectadores e faturamento de R$ 1,5 bilhão em 2012; a Agência Nacional de Cinema (Ancine) tem uma perspectiva de que as salas serão 4,5 mil no ano 2020, com 220 milhões de espectadores. (W.S.)

mockup