Serra da morte à espera de mudanças
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Aline Damásio<br>Especial para a FOLHA 
Ribeirão Claro - O trevo de acesso ao bairro da Cachoeira na PR-151, entre Ribeirão Claro e Carlópolis, deve passar por modificações este ano devido aos altos índices de acidentes registrados no local. Com a média de um acidente grave a cada 60 dias, o trevo batizado pelos motoristas como "Serra da Morte" vem sendo alvo de mobilizações políticas e tem a possibilidade de até ter um desvio construído para a passagem de caminhões.
Localizado no quilômetro 24 da rodovia, o trevo é localizado bem após um longo trecho em declive com uma curva íngreme à direita, que tem causado acidentes envolvendo principalmente caminhões de grande porte. No ano passado, dois acidentes causaram a morte de quatro pessoas e neste ano dois acidentes graves ocorreram no local, o último aconteceu no início deste mês, quando uma carreta carregada com pesos para balança que caiu em uma ribanceira após cruzar o trevo sem parar, deixando o motorista gravemente ferido.
Algumas cruzes estão espalhadas pelos canteiros em memória as oito pessoas que morreram no local nos últimos dois anos. Para o motorista Flávio Silveira Camargo o trecho foi mal elaborado, o que o torna perigoso. "Os motoristas devem evitar esta estrada aqui, pois não há freio que segure um caminhão carregado numa ribanceira desta, que termina em uma curva. Já vi companheiros meus quase morrerem aqui e só passo nesta estrada em caso de necessidade."
O prefeito de Ribeirão Claro, Geraldo Maurício Araújo(PV), lembrou que já esteve no Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e secretarias competentes do governo do Estado solicitando a instalação de uma área de escape com caixa de brita e melhorias na sinalização da rodovia, mas sem respostas até agora. "Estamos reivindicando melhorias neste trecho há mais de oito anos e nada foi feito. Este trevo já foi construído de modo errado e queremos que o DER nos ofereça uma solução já que com tantos acidentes é difícil que a culpa seja só da imprudência dos motoristas", reclamou.
Segundo o Secretário de Administração de Ribeirão Claro, Fábio de Lucca, independentemente das ações previstas pelo DER, a prefeitura irá fazer uma sinalização de alerta na estrada. "Iremos orientar os motoristas desde a saída da cidade, com placas de sinalização alertando sobre o perigo desse trecho da estrada", anunciou.
Em setembro do ano passado, DER instalou um radar fotográfico no início do declive que antecede o trevo do bairro Cachoeira. O radar permite velocidade máxima de 40 quilômetros por hora e foi a primeira ação atendida pelo órgão depois de diversas solicitações da prefeitura.
Segundo o gerente de Obras e Serviços do escritório regional do DER em Jacarezinho, Hugo Possetti Filho, o projeto para a construção da área de escape no trevo já foi feito e está em fase de licitação na sede do departamento em Curitiba. "O projeto está aprovado desde o ano passado quando o prefeito fez o pedido. Sabemos que a Serra da Morte é um ponto crítico, com uma grande declive e com vários acidentes registrados, passamos todas essas informações a superintendência, cabe agora esperar todo o processo burocrático para iniciar a obra", declarou.
Trânsito pesado
O trevo que dá acesso ao distrito administrativo de Cachoeira do Espírito Santo, mais conhecido como "Serra da Morte", fica no bairro São Sebastião na PR-151 e tem um tráfego intenso de caminhões, que optam pelo trecho para escapar da praça de pedágio da BR-153 na divisa de Estado, entre Jacarezinho e Ourinhos. Pela rota alternativas, os motoristas chegam ao estado vizinho atravessando Ribeirão Claro, passando por Carlópolis e seguindo para Fartura (SP).
Desde a década de 1990, a prefeitura de Ribeirão Claro vem cobrando na justiça da concessionária Econorte/Triunfo, que administra a BR-153 para que haja uma compensação financeira e mais fiscalização para que veículos pesados não trafeguem pela rodovia PR-151. Uma resolução do DER, inclusive, proíbe o tráfego de veículos com mais de dois eixos nessa estrada. "Chegamos a ganhar uma liminar na justiça concedendo parte dos lucros da concessionária como compensação pelo grande desvio de caminhões pelo nosso município e pela falta de fiscalização, mas infelizmente nem isso adiantou e o problema continua", lamenta o prefeito Geraldo Maurício de Araújo.


