Selfie sob risco
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Rubia Pimenta<br>Especial para a FOLHA 
Cornélio Procópio Pelo menos uma vez por semana, mulheres e pais de adolescentes procuram, desesperados, a delegacia de Cornélio Procópio por um mesmo motivo: divulgação indevida de fotos íntimas. "A situação é quase sempre a mesma: a garota tira uma foto sensual, mostrando partes íntimas do corpo, e envia pelo celular ou redes sociais a um paquera ou namorado. O rapaz repassa a outros amigos e, de forma viral, em pouco tempo essa imagem se espalha, causando sérios danos morais às vítimas", conta o delegado-chefe da 11ª Subdivisão de Polícia Civil de Cornélio Procópio, João Manoel Garcia Alonso Filho.
Essa prática de divulgar conteúdos eróticos, sensuais e sexuais utilizando-se de meios eletrônicos recebe o nome de sexting, formado pela junção de duas palavras em inglês: sex (sexo) e texting (envio de mensagens). Segundo o site da SaferNet, uma associação civil sediada em Salvador (BA), que tornou-se referência nacional no enfrentamento aos crimes e violações aos Direitos Humanos na internet, o fenômeno é recente e está se popularizando principalmente entre os mais jovens.
Em Cornélio Procópio, somente este ano, casos envolvendo adolescentes de 13 anos foram registrados em escolas públicas e particulares da cidade. "Temos queixas de mulheres de diversas idades, mas especialmente adolescentes e jovens universitárias", ressalta Alonso.
Para o delegado, a evolução dos smartphones e aplicativos como o WhatsApp, que permitem o compartilhamento instantâneo de fotos, vídeos e sons, contribuem com o aumento desses crimes. "Existem grupos nesses aplicativos em que se compartilham fotos e vídeos desse tipo. Também investigamos páginas em redes sociais que ajudam a espalhar as imagem", relata.
O quadro de Cornélio Procópio acompanha uma tendência nacional. Pesquisa realizada pela SaferNet mostra que o número de vítimas dobrou nos últimos dois anos. O levantamento mostrou que 20% dos 2.834 jovens brasileiros entrevistados afirmaram ter recebido fotos íntimas de outras pessoas, e que 6% deles reenviaram essas imagens para outras pessoas.
Assim como casos desse tipo de crime se proliferam pelas redes virtuais, crescem também as orientações para que se evite o problema. A SaferNet disponibiliza várias cartilhas de orientação sobre crimes virtuais.
Outro alerta encontrado na internet é dado por Amanda Lenhart, especialista em pesquisa e autora de um relatório do Pew Research Center sobre sexting, lembrando que depois de mandar uma foto pelo celular, você não tem mais controle sobre como ela poderá ser usada ou sobre como afetará sua reputação. "Nunca foi tão fácil enviar ou armazenar provas de mau comportamento para que outros possam ver." Por isso, a principal recomendação é pensar muito bem antes de publicar.



