Metade da área de plantio de trigo e milho do Norte Pioneiro já está praticamente comprometida devido à estiagem na região. Além da seca prolongada, de cerca de 60 dias, a lavoura na área está sobrevivendo em uma situação atípica, com temperaturas elevadas em pleno inverno. ''A situação está crítica e os produtores, desesperados. Cerca de 50% da área plantada já está perdida'', avalia Ismael Teodoro, engenheiro agrícola da Cooperativa Integrada do Paraná, do entreposoto da região de Rancho Alegre e Uraí.
Segundo Teodoro, a última chuva que ocorreu na região foi no final de maio, justamente no início do plantio do trigo. De lá para cá, nenhum pingo d'água caiu para ajudar na evolução das plantas. ''O calor contribuiu para a disseminação de doenças na lavoura e fez com que os produtores gastassem mais em defensivos agrícolas'', aponta.
A área de plantio da região é de cerca de 15 mil hectares. Deste total, 80% estão plantados com trigo e o restante, com milho. ''Sem dúvida, é uma das piores estiagens da região nesta época'', avalia Teodoro. A safra de trigo, que deverá ser colhida nos meses de agosto e setembro, já está com seu potencial definido. Mesmo que ocorra uma chuva ou uma queda nas temperaturas a situação não deve melhorar. ''O frio moderado pode até ajudar um pouco a evitar as doenças. Porém, nada muito representativo em relação às perdas'', diz Teodoro.
Na região de Andirá e Cambará, a situação também é preocupante. As perdas no trigo e milho também atingem 50% da área de plantio. ''Os produtores ainda estão fazendo os cálculos, mas já sabem que o prejuízo será grande'', conta Valdir Bocato, técnico agrícola da Cooperativa Regional Agrícola Mista de Cambará (Coopramil). De acordo com Bocato, estão comprometidos os 5 mil hectares de trigo e milho da região. ''A maior parte é de milho, mas o trigo também foi prejudicado'', diz.
As doenças mais comuns que estão infestando as plantações são a ferrugem e as manchas foliares ou helmintosporioses. ''Essas doenças são terríveis. O trigo está na fase de cacheamento e o milho na embonecação. Nestas fases não há meio de recuperação'', explica o técnico.
O panorama da safra traz desespero aos produtores, que procuram um meio de amenizar os prejuízos. ''A maioria dos produtores buscou financiamento no Proagro, pelo Banco do Brasil, e que, infelizmente, não cobre os problemas causados pela seca'', adverte Bocato.
A maior luta dos agricultores agora é para encontrar formas de reduzir os prejuízos em vista. ''As perdas, com certeza, serão inevitáveis. Os produtores agora só estão torcendo para, pelo menos, empatar o investimento feito no plantio. Se o que restar da safra der para pagar os empréstimos feitos, já será um lucro para eles'', analisa o técnico da Coopramil.

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