Resgate da história da Diocese
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terça-feira, 08 de abril de 2014
Eli Araújo<br>Reportagem Local 
Jacarezinho - A Diocese de Jacarezinho pretende reunir, em um só espaço, todo acervo que faz parte da história da Igreja em sua área de abrangência. Para isso, criou o Museu Sacro-histórico Dom Ernesto de Paula, em parceria com a Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp). O museu foi inaugurado em agosto do ano passado e funciona em uma casa na principal avenida da cidade, onde morou o primeiro bispo diocesano, dom Fernando Taddey. É o primeiro museu de Jacarezinho e também o primeiro museu sacro na diocese.
O acervo foi organizado pelo seminarista Jeferson da Luz e duas estudantes de História da Uenp, que hoje trabalham como estagiárias no local. Todo material foi colocado em várias salas do imóvel, seguindo uma ordem temática. A quantidade de material exposto aos visitantes parece pequena, mas há alguns objetos bem curiosos.
Em uma sala dedicada à Catedral de Jacarezinho, há uma máquina que era usada para produção de hóstias. O objeto, segundo a estagiária Vanessa Mairinck, seria do século 19 e foi usado no começo do século passado por algumas religiosas. Elas fabricavam as hóstias distribuídas aos fiéis nas missas.
A sala de música tem um piano antigo e dois harmônios, uma espécie de órgão. Há dezenas de discos antigos de vinil, e não apenas com músicas sacras. Um que chama a atenção tem a imagem do ditador italiano Benito Mussolini, que lutou contra as forças aliadas na Segunda Guerra Mundial. Ninguém sabe a origem e nem a quem pertenceu este long play.
Em outra sala, estão as roupas usadas por dom Pedro Filipak, bispo diocesano que participou do Concílio Vaticano 2, realizado na primeira metade da década de 1960. Junto às vestes há uma foto, já desbotada, dos bispos reunidos durante o concílio. Ao lado, em outro ambiente, estão paramentos usados por alguns sacerdotes há algumas décadas.
Fenômeno
O museu tem várias imagens em madeira. O destaque fica para a imagem de São Donato, que parece um pouco danificada. A estagiária Gislaine Figueiredo diz que a imagem pertenceu a um fazendeiro de Cambará na década de 1930. Ela foi esculpida em um tipo de madeira com muita umidade, o que fazia com que a água aparecesse na superfície da imagem.
Segundo ela, o "fenômeno" atraia centenas de fiéis, o que passou a incomodar o fazendeiro. A imagem foi doada para a diocese e ficou encostada em um canto durante décadas. Hoje a escultura está completamente seca.


